Negras, provedoras e vítimas de violência: o perfil das presas no interior de MS
Antes da prisão, elas trabalhavam, ajudavam a sustentar outras pessoas e já conviviam com a violência.
Levantamento com 488 mulheres em seis unidades prisionais do interior de Mato Grosso do Sul mostra que 70,5% se autodeclararam negras, 80,5% contribuíam para o sustento de alguém e 56,5% relataram violência doméstica antes do encarceramento.
Divulgado nesta quarta-feira (28), o “Diagnóstico com perspectivas de gênero e atendimento pelo Nudem das mulheres que cumprem pena no regime fechado” reúne informações coletadas em visitas às unidades de Rio Brilhante, Corumbá, Três Lagoas, Jateí, São Gabriel do Oeste e Ponta Porã, entre novembro de 2025 e julho de 2026.
Conforme a coordenadora do Nudem (Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres), defensora pública Kricilaine Oliveira Souza Oksman, o levantamento buscou compreender as diferentes realidades das mulheres presas no interior.
Cada participante respondeu individualmente a cerca de 80 a 100 perguntas, e aquelas que desejaram também receberam atendimento jurídico.
“Existem peculiaridades em cada unidade”, afirma.
A proposta, segundo ela, é usar os resultados para aprimorar os serviços e orientar políticas públicas com perspectiva de gênero e racial, considerando também os filhos que ficam sem a presença das mães.
Segundo os dados, o trabalho fazia parte da vida da maioria das entrevistadas, sendo que 70,1% trabalhavam antes da prisão.
Isso, porém, não significava acesso a emprego formal.
Entre as mulheres ouvidas, 47,1% nunca tiveram a carteira de trabalho assinada.
A escolaridade também era limitada, pois apenas 32,4% haviam concluído ao menos o ensino médio.
A responsabilidade pelo sustento de outras pessoas, presente na trajetória de oito em cada dez entrevistadas, contrasta com as visitas recebidas depois da prisão.
Somente 39,3% recebiam visitantes.
Apenas 26 mulheres recebiam visitas de companheiros.
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