Santa Cecília: da água curativa ao reduto dos moderninhos
Antes dos bares, das calçadas movimentadas e dos chamados "Santa Ceciliers", Santa Cecília já foi endereço da elite cafeeira, teve grandes chácaras e até uma fonte de água considerada curativa.
A história do bairro começa no Largo de Santa Cecília. Em 1861, moradores construíram uma pequena igreja de madeira dedicada à santa. O templo seria reconstruído duas vezes, até chegar à versão que permanece no largo, com obras de Benedito Calixto e vitrais de Conrado Sorgenicht.
Na época, a região era ocupada por grandes propriedades da elite do café. A partir de 1878, essas terras começaram a ser loteadas. A Chácara Mauá, por exemplo, deu lugar aos Campos Elíseos, considerado o primeiro bairro planejado de São Paulo.
Foi nesse processo de transformação que surgiu a Rua das Palmeiras, batizada em referência à chácara que existia na região. Ao redor dela também apareceram construções que ajudaram a marcar a paisagem do bairro, como a Santa Casa de Misericórdia e os palacetes de famílias como as de Dona Veridiana e Dona Angélica.
Mas Santa Cecília também teve sua própria "água santa". Pouco antes de 1900, o médico Domingos Jaguaribe comprou uma propriedade onde havia uma fonte de água considerada curativa para doenças gástricas e de pele. Amostras foram enviadas ao Instituto Pasteur, na França, que atestou a qualidade medicinal da água.
Jaguaribe criou ali o Instituto Psycho-Physiologico, com banhos e massagens terapêuticas, e passou a comercializar a água engarrafada com a marca Vitalis, conhecida como "Água Santa". Com o tempo, porém, a fonte secou.
Entre 1920 e 1960, os casarões começaram a dar lugar aos edifícios. Santa Cecília perdeu parte do perfil aristocrático e se consolidou como uma região comercial e de circulação.
Em 1974, a Folha de S.Paulo inaugurou seu famoso prédio de fachada amarela e pastilhas coloridas, com uma grande impressora rotativa no hall. O endereço, entre as alamedas Barão de Campinas e Barão de Limeira, é também onde hoje funciona o UOL.
Pouco depois, outra transformação mudaria radicalmente a paisagem: a construção do Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão. O viaduto provocou demolições e passou a levar o trânsito para a altura das janelas e varandas dos edifícios.
Na mesma época, a chegada do metrô trouxe novos fluxos para o bairro.
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