Cotistas tiram Apex da gestão de fundo de shoppings e escolhem Vinci
Os cotistas do fundo imobiliário Apex Malls (APXM11) aprovaram a destituição da BRM Carbyne, gestora ligada à Apex Partners, e da consultora BRM Apex Nazca, escolhendo a Vinci Real Estate para assumir a carteira. A mudança ocorre em meio à crise financeira do grupo capixaba, que pediu recuperação judicial em setembro, com dívidas declaradas de quase R$ 1 bilhão.
A troca foi anunciada em fato relevante divulgado na sexta-feira (16). Com a decisão, o fundo passou a se chamar Vinci Malls II, embora ainda negociasse na Bolsa sob o código APXM11. A carteira reúne participações no Shopping Vitória, no Espírito Santo, e no Catuaí Shopping Cascavel, no Paraná.
Cotistas aprovaram a saída da antiga gestora. A destituição da BRM Carbyne e da BRM Apex Nazca recebeu votos equivalentes a 79,093% das cotas emitidas pelo fundo. Na escolha da sucessora, a Vinci obteve 55,434% dos votos apresentados. A votação ocorreu por meio de consulta formal iniciada em 21 de setembro.
Vinci assume a gestão, mas BTG continua na administração. A nova gestora ficará responsável pelas decisões de investimento, enquanto o BTG Pactual Serviços Financeiros permanece como administrador fiduciário, encarregado de funções administrativas e de fiscalização previstas na regulamentação. O código de negociação do fundo deverá ser alterado nas próximas semanas, conforme os procedimentos da B3.
Nova gestora quer ampliar o poder de decisão dos investidores. Entre as propostas da Vinci está exigir aprovação prévia dos cotistas para compras e vendas de ativos, com quórum qualificado. Mudanças que retirem do fundo sua exposição exclusiva aos dois shoppings também dependeriam desse aval.
Emissões de cotas terão novas restrições. A gestora pretende impedir novas emissões abaixo do valor patrimonial, referência calculada a partir dos ativos e obrigações do fundo. A proposta também garante direito de preferência aos atuais investidores, permitindo a negociação desses direitos entre cotistas.
Operações com outros fundos da Vinci passarão por controle adicional. A proposta prevê aprovação prévia dos investidores e avaliações independentes para transações com veículos administrados pela própria gestora. Também está prevista a criação de um comitê consultivo de até cinco integrantes, com reuniões trimestrais para acompanhar a gestão.
Grupo pediu recuperação judicial em setembro. A Apex Partners apresentou o pedido em 14 de setembro, na Justiça do Espírito Santo, após obter uma medida cautelar em agosto. Em parecer, o Ministério Público estadual registrou que o grupo havia declarado dívidas preliminares de R$ 985,6 milhões, com base em dados de junho de 2026.
Valor das dívidas ainda depende de verificação. O Ministério Público apontou que as informações foram fornecidas pelas próprias empresas e precisavam de auditoria. Também identificou uma diferença de R$ 13,2 milhões entre o endividamento total declarado e a soma das categorias de dívidas apresentadas, solicitando esclarecimentos.
Recuperação judicial ainda não havia sido autorizada. Em decisão de 8 de outubro, a juíza Sayonara Couto Bittencourt registrou que o processamento do pedido não havia sido deferido.
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