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'Parte de quem sou': Adotados em Israel votam como brasileiros pela 1ª vez

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'Parte de quem sou': Adotados em Israel votam como brasileiros pela 1ª vez

Ao comparecer à embaixada brasileira em Tel Aviv para votar pela primeira vez em uma eleição presidencial do Brasil, Amir Noy participou, no último domingo, de uma decisão sobre um país que conhece sobretudo pela própria história de origem. Nascido no Brasil e levado ainda bebê para Israel, o advogado de 34 anos cresceu sabendo que era adotado. Conseguir documentos brasileiros, porém, exigiu uma longa busca e um processo judicial.

A regularização permitiu a emissão de seu passaporte e abriu caminho para a participação nas eleições. Não resolveu, entretanto, as lacunas sobre os primeiros meses de sua vida. O advogado não tem uma certidão de nascimento original, e os documentos disponíveis não permitem estabelecer com segurança nem mesmo onde ele nasceu. "Não há uma garantia real de que as informações sejam corretas", afirma.

A data de nascimento que aparece nos papéis de Noy é 20 de novembro de 1991. Segundo ele, registros de entrada em Israel situam sua chegada entre o fim de dezembro daquele ano e o início de janeiro de 1992. Os papéis relacionados à sua origem indicam o nascimento em Araquari, cidade no norte de Santa Catarina, a cerca de 170 km de Florianópolis, na região de Joinville. A informação sobre o local em que nasceu foi mantida no novo registro emitido após o processo judicial, mas pode não ser verdadeira.

Nos anos 1980 e 1990, milhares de bebês brasileiros foram retirados ilegalmente do país e adotados por famílias estrangeiras, que pagavam dezenas de milhares de dólares pelas crianças. As quadrilhas diziam que os valores cobriam custos da burocracia brasileira.

Um dos grupos era liderado por Arlete Hilú, condenada e presa por sua participação no esquema . Ela confessou os crimes em 2016. A quadrilha raptava bebês e cooptava famílias pobres para entregar ou vender os filhos por valores irrisórios. As crianças eram vendidas no exterior, principalmente em Israel e na Europa. Hilú morreu no fim de 2023. Não há, até o momento, informação que vincule a adoção de Noy ao grupo de Hilú.

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Hoje, Noy vive em Tel Aviv com o marido e trabalha como advogado especializado em privacidade de dados e segurança cibernética. A adoção nunca foi um segredo em sua família. Ele também tem uma irmã, um ano mais nova, filha biológica dos pais israelenses. O pai já morreu. A mãe mora em Givat Shmuel, cidade na região central do país. Conhecer os pais biológicos nunca foi, segundo ele, uma prioridade. Isso não impediu que procurasse construir uma relação própria com o Brasil, por meio da língua, dos documentos e, agora, do voto.

Aos 23 anos, depois do serviço militar obrigatório, Noy procurou obter um passaporte brasileiro. As dificuldades com os registros, porém, permaneceram por anos. Segundo contou ao UOL , houve uma emissão inicial de passaporte pela representação brasileira, acompanhada da indicação de que seria necessário resolver pendências relativas ao registro de nascimento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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