Da cronometragem à inteligência artificial: Como a IA pode transformar os eventos esportivos
Maratona do Rio 2026 recebeu aproximadamente 70 mil corredores, somando-se todas as distâncias - Divulgação / Maratona do Rio
Entrei no mundo da cronometragem no final de 2010. Havia recém-interrompido minha breve carreira como jogador de futebol profissional (zagueiro técnico, que domina e sai jogando, sabe como é) e, à época, estávamos começando a utilizar equipamentos de banda UHF e chips descartáveis no Brasil, que foram fundamentais para o aumento de atletas nos eventos, visto que os chips retornáveis antigos eram caros e demandavam uma enorme estrutura para entrega e recolhimento no dia do evento. Além disso, eram susceptíveis a interferências por rede elétrica e metal e, para piorar, muitos eram extraviados com frequência, o que onerava bastante os organizadores.
Na véspera do evento, tínhamos que testar os “tapetes” de cronometragem no pórtico e demais locais de marcação de tempo, e era comum o pórtico precisar mudar de lugar, por conta de dutos de esgoto e/ou rede elétrica embaixo do asfalto, que jogavam o sinal para baixo.
Hoje, existem dezenas de leitores UHF no mercado, e a inteligência artificial (IA) rompeu uma barreira que até 2025 era bem difícil de ultrapassar: a “barreira do desenvolvimento”. Era extremamente complicado e difícil integrar hardware e software, bem como criar equipamentos de cronometragem com aplicações embarcadas, pois havia poucos players no mercado capazes de entregar equipamentos confiáveis.
Tudo isso veio abaixo com o avanço da IA. Hoje, qualquer pessoa consegue criar uma “maleta de cronometragem”, e a cada dia surgem dezenas de novas empresas do segmento espalhadas pelo Brasil.
Obviamente que cronometragem é um serviço extremamente técnico e está muito mais voltado ao atendimento, à confiança e à credibilidade do que ao tipo de equipamento que cada um utiliza, mas ver a velocidade com que as mudanças estavam acontecendo nos obrigou a sair da nossa “zona de conforto” e ampliar nosso raio de visão, buscando prever e antecipar os próximo passos do mercado e investir tempo, dinheiro e energia nessas coisas, ampliando nosso leque de serviços e oportunidades para os clientes.
É muito lindo ver centenas de coisas criadas mundo afora com IA, mas trazer isso à realidade, com produtos que sejam rentáveis e escaláveis, é o grande desafio de todos os líderes de empresas de tecnologia nos dias atuais. E aqui vale uma observação: se o nosso trabalho se limitasse apenas em criar seria fácil; o problema é que nós ainda temos que explicar e convencer os clientes de que os produtos são úteis e extremamente importantes para os eventos deles. Ou seja, não basta criar o produto; é preciso criar a demanda e o desejo por ele. Esse, sim, é o maior desafio atualmente.
Acredito que o futuro dos eventos esportivos será extremamente personalizado na relação com os atletas. Cada vez mais o atleta será tratado pelo nome, e o disparo de e-mails marketing e comunicados darão cada vez mais a impressão de que “nossa, parece que isso foi feito pra mim”, ou “parece que leram meus pensamentos”.
Nos eventos, os serviços e ativações de arena estarão cada vez mais alinhados ao gosto de cada atleta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em maquinadoesporte.com.br — o conteúdo pertence a Máquina do Esporte.