Indústria tem menor intenção de investir desde 2020 diante de incerteza eleitoral, diz pesquisa
São Paulo O índice que mede a intenção de investimento pela indústria brasileira caiu em setembro ao menor nível desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19. É o que mostra a última edição da Sondagem Industrial da divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada nesta segunda-feira (21).
O indicador caiu de 52,6 pontos na última edição do levantamento para 51,3 pontos. Foi a quinta baixa consecutiva do índice de intenção de investimento da indústria —desde maio, a queda acumulada é de 3,5 pontos.
A Sondagem da CNI se apoia em quadro indicadores de expectativa, utilizados para medir o apetite por investimentos pelo setor: a demanda por produtos, a compra de insumos e matérias-primas, a quantidade exportada e o número de empregados. Todos eles recuaram no mês, com destaque para a perspectiva de demanda.
"A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial. Além disso, há um aumento das incertezas, o que também contribuiu para o resultado", comenta o gerente de análise econômica da confederação, Marcelo Azevedo.
O índice de evolução da produção industrial registrou forte queda de 4,7 pontos entre julho e agosto, atingindo 46,3 pontos. Além de deixar o campo considerado positivo —acima de 50—, foi o pior resultado para o indicador desde 2015, quando a economia brasileira vivia período de recessão.
Em meio ao cenário de atividade mais fria, caiu também a UCI (Utilização da Capacidade Instalada), indicador que mede o quanto a capacidade produtiva máxima da indústria brasileira está sendo efetivamente empregada. O dado recuou 1 ponto percentual, chegando aos 69%, e o nível de uso do parque fabril ficou 2 pontos percentuais abaixo da média histórica para agosto.
Marcelo Azevedo, da CNI, vê o resultado como "atípico" e atribui parte dele às incertezas eleitorais. "Não dá para negar que a proximidade das eleições traz um certo grau de imprevisibilidade, fazendo com que as empresas se tornem mais cautelosas na hora de investir, produzir e contratar".
O último dado de produção industrial do IBGE, referente a julho, mostrou uma leve alta mensal de 0,2%. Nos dois meses anteriores, houve queda do indicador.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.