Justiça do AM concede regime semiaberto ao irmão de Djidja Cardoso
O Tribunal de Justiça do Amazonas concedeu progressão para o regime semiaberto a Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido encontrada morta em 2024 .
A decisão foi dada na última sexta-feira após pedido da defesa de Neto. A solicitação, que já havia tido parecer favorável do Ministério Público, foi aceita pela juíza Sabrina Cumba Ferreira, da 2ª Vara de Execução Penal da Comarca de Manaus.
A Justiça disse que o condenado preencheu os requisitos para progressão. A magistrada considerou o atestado de pena informando o requisito temporal, certidões carcerárias de bom comportamento e exame criminológico que comprova aptidão psicológica do apenado.
Além do uso de tornozeleira eletrônica, Neto precisará cumprir algumas cautelares a partir de agora. Ele deve permanecer em Manaus, fazer recolhimento noturno de segunda a sexta-feira e ficar em casa durante todo final de semana e feriados. Além disso, não pode portar armas, nem ingerir bebidas alcoólicas ou fazer uso de entorpecentes e, por fim, deve atender com rapidez às intimações judiciais.
Neto foi condenado em 2024 a 10 anos, 11 meses e 8 dias de prisão por tráfico e associação ao tráfico da substância cetamina . A mãe dele, Cleusimar de Jesus Cardoso, também foi condenada na época. Outras cinco pessoas receberam a mesma pena: Veronica da Costa Seixas, Hatus Moraes Silveira, José Máximo Silva de Oliveira, Savio Soares Pereira e Bruno Roberto da Silva Lima.
Djidja foi encontrada morta em casa, em Manaus, no final de maio daquele ano . Na ocasião, a família da ex-sinhazinha já era investigada por liderar o grupo religioso "Pai, Mãe, Vida", que induzia os seguidores, incluindo funcionários da rede de salões da família Cardoso, a usar cetamina para "transcender a outra dimensão e alcançar um plano superior e a salvação", segundo a Polícia Civil.
Grupo fazia "rituais com o uso indiscriminado de cetamina". Eles também usariam cogumelos, chás alucinógenos e Potenay, medicamento usado em bovinos e equinos com desnutrição e sistema imunológico debilitado. A seita funcionava há pelo menos dois anos no bairro Cidade Nova, em Manaus.
Quem é quem, segundo as investigações: Neto assumia a figura de Jesus na suposta seita religiosa; Cleusimar ocupava a função de Maria; José Máximo e Sávio Soares, sócios na clínica veterinária que fornecia cetamina para a família; Hatus Silveira se apresentava como personal de Djidja para conseguir substâncias de clínicas; Verônica da Costa, funcionária da rede de salões; e Bruno Roberto ex-namorado de Djidja.
A defesa da mãe e do irmão de Djidja negou a existência de uma seita religiosa. "Não existe esse negócio de ritual e de que funcionários e amigos eram obrigados ou coagidos a usar a droga. Não existia isso", argumentou a advogada Lidiane Roque.
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