Trump promete "poderio militar sem igual" contra cartéis de drogas
NAÇÕES UNIDAS, 22 Set (Reuters) - O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu nesta terça-feira reafirmar o domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental e utilizar “poderio militar sem igual” contra as ameaças na região, ao reunir aliados em torno de uma campanha cada vez mais ampla contra os cartéis de drogas.
Ao se dirigir aos líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU, Trump classificou os cartéis de drogas como “o Isis (Estado Islâmico) do Hemisfério Ocidental” e pediu uma resposta mais firme ao crime transnacional.
Mais tarde, na sede da ONU, Trump se reuniu com líderes e ministros das Relações Exteriores de 14 países da América Latina e do Caribe que aderiram ao “Escudo das Américas”, uma coalizão anticartéis lançada por seu governo. Ele pediu ao grupo que se unisse aos EUA para designar 24 grupos narcotraficantes como ameaças à estabilidade e impor sanções contra eles.
Os países emitiram posteriormente uma declaração comprometendo-se a tomar medidas no sentido dessas sanções conjuntas.
A operação dos EUA que capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro e um acordo petrolífero subsequente com o governo interino ressaltaram a disposição dos EUA de agir na região, disse Trump aos líderes mundiais na Assembleia Geral.
“Nossas ações na Venezuela são prova de que os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças à América ganhem espaço em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual para garantir os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos”, afirmou.
A Estratégia de Segurança Nacional de Trump, divulgada no final do ano passado, traçou planos para uma versão renovada da Doutrina Monroe — a política do século 19 que afirma a primazia dos EUA em todas as Américas e que os críticos há muito associam a décadas de intervenção norte-americana. O próprio Trump passou a chamá-la de “Doutrina Donroe”, um trocadilho com seu próprio nome, depois que a expressão ganhou popularidade na mídia conservadora.
Trump também falou, muitas vezes em termos vagos, em retomar o Canal do Panamá e anexar a Groenlândia e o Canadá. Nesta terça-feira, ele assinou um acordo sobre a Groenlândia que não chega a atender à sua exigência de que a ilha se torne território dos EUA para conter a crescente presença da Rússia e da China no Ártico.
Ainda assim, o foco de Trump no Hemisfério Ocidental tem suscitado preocupações quanto a um projeto neocolonial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso na ONU nesta manhã, reagiu com indignação a essa abordagem, alertando os países da América Latina e do Caribe sobre “novas tentações hegemônicas”.
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