Pai deixa quase todo o patrimônio para apenas um filho, irmãos descobrem a divisão e contestam a herança na Justiça
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A herança deixada para apenas um filho pode ser questionada quando a divisão reduz a parcela protegida dos demais herdeiros. No Brasil, o pai pode favorecer um descendente por testamento ou doação, mas não dispõe livremente de todo o patrimônio quando existem herdeiros necessários. Os irmãos precisam verificar quanto foi transferido e qual era o patrimônio líquido na abertura da sucessão.
O Código Civil permite que uma pessoa destine a parte disponível de seus bens ao filho que escolher. Os descendentes, porém, são herdeiros necessários. O artigo 1.846 reserva a eles, juntamente com outros herdeiros necessários existentes no caso, metade da herança, conhecida como legítima .
A divisão depende da composição familiar, do regime de bens e da existência de cônjuge ou companheiro sobrevivente. Para avaliar se houve excesso, o inventário deverá identificar:
Se um pai viúvo deixa patrimônio líquido de R$ 600 mil e três filhos, R$ 300 mil formam a legítima. Em uma situação simples, essa parcela seria dividida entre os três, com R$ 100 mil para cada um. Os outros R$ 300 mil poderiam ser destinados integralmente ao filho favorecido, que receberia R$ 400 mil no total, enquanto cada irmão ficaria com R$ 100 mil.
Sim. A doação de ascendente para descendente normalmente representa adiantamento do que o filho receberia por herança, conforme o artigo 544 do Código Civil. Por isso, imóveis, dinheiro, participações empresariais e outros bens transferidos anteriormente podem precisar ser informados no inventário para equilibrar os quinhões.
A doação que ultrapassa o limite disponível no momento em que foi realizada pode ser considerada inoficiosa na parte excedente. O artigo 549 prevê a nulidade do excesso. Isso não significa que toda transferência ao filho beneficiado será cancelada, mas a parcela que invadiu a legítima poderá sofrer redução.
A insatisfação com a preferência do pai não basta para modificar a partilha. Os irmãos devem demonstrar que a legítima foi reduzida, que bens foram omitidos ou que existe algum defeito capaz de comprometer o ato. Entre os documentos relevantes estão:
Reunir registros patrimoniais, financeiros e fiscais pode ajudar a reconstruir transferências, identificar valores envolvidos e compreender como determinados bens foram tratados antes e durante o inventário.
Analise o testamento, as declarações apresentadas no processo e outros documentos utilizados para descrever a composição e a destinação do patrimônio.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.