“Sorria, você vai ser morto sendo filmado”, diz especialista em segurança
“ Querido, sorria.
Você vai ser morto sendo filmado.
Sorria .” A frase da antropóloga e especialista em segurança pública Jacqueline Muniz resume uma das críticas feitas por ela às propostas apresentadas por candidatos durante a eleição de 2026.
Em entrevista ao PoderDataCast , na 5ª feira (27.ago.2026), Muniz afirmou que câmeras corporais, aumento do efetivo policial e endurecimento de penas, isoladamente, não solucionam os problemas de segurança pública.
Segundo ela, o debate eleitoral é frequentemente marcado por “ promessas mágicas ” e pela instrumentalização do medo, em vez de medidas para enfrentar as causas e as dinâmicas da criminalidade.
Professora de segurança pública na UFF (Universidade Federal Fluminense), Muniz disse que as políticas para a área precisam considerar as diferentes situações de risco vividas pela população.
Segundo ela, feminicídios, homicídios, violência territorial, crimes contra o patrimônio e violência contra grupos específicos têm dinâmicas diferentes e, portanto, exigem respostas distintas.
Para a especialista, o eleitor costuma perceber a insegurança principalmente a partir de experiências concretas.
O medo de perder o celular, o carro ou a renda, por exemplo, pode ser mais presente no cotidiano do que o temor de ser atingido por uma bala perdida.
“ Os crimes, pasmem, não são os crimes contra a vida.
São os crimes contra o patrimônio.
O que mais as pessoas têm medo? […] Elas têm medo do assalto, de perderem ”, afirmou.
CÂMERAS NÃO FAZEM MILAGRE A especialista também criticou o que chamou de “ fetiche erótico ” pela tecnologia na segurança pública.
Ao falar sobre câmeras corporais usadas por policiais, Muniz afirmou que a tecnologia não substitui mecanismos de controle e governança das forças de segurança.
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