Sarrubbo: pressão dos EUA sobre PCC e CV tem viés político e ameaça soberania do Brasil
O ex-secretário nacional de Segurança Pública Mario Sarrubbo afirmou que as ações e declarações do governo dos Estados Unidos sobre o combate ao crime organizado no Brasil têm, em sua avaliação, um componente político e podem representar riscos à soberania brasileira.
Em entrevista à apresentadora Laísa Dall’Agnol, no programa Ponto de Vista, de VEJA, com participação do repórter Nicholas Shores, Sarrubbo relacionou a pressão americana sobre o PCC e o Comando Vermelho ao cenário eleitoral brasileiro.
Segundo Sarrubbo, não houve mudança significativa que justificasse a pressão dos Estados Unidos sobre a política de segurança pública brasileira.
Ele citou a Operação Carbono Oculto como exemplo de uma resposta, em sua avaliação, adequada ao crime organizado, especialmente por mirar o fluxo financeiro das organizações criminosas.
Para o ex-secretário, o Brasil tem aprimorado suas ações de enfrentamento às facções dentro de suas possibilidades e recursos.
Sarrubbo também afirmou que o movimento do governo Donald Trump teria relação com a disputa política na América Latina.
Na avaliação dele, o presidente americano pretende ampliar a presença de governos de direita ou extrema direita na região e estaria adotando uma postura diferente em relação a países governados por políticos desse espectro ideológico.
O ex-secretário disse esperar que essa movimentação não tenha consequências práticas sobre a segurança pública brasileira.
Continua após a publicidade Questionado por Laísa sobre as medidas adotadas durante sua passagem pelo governo federal, Sarrubbo destacou investimentos na Polícia Federal e na Polícia Rodoviária Federal, além da ampliação das forças integradas de combate ao crime organizado.
Ele citou ainda a criação de redes voltadas ao enfrentamento das organizações criminosas e à recuperação de ativos e afirmou que o governo também criou escritórios de combate ao crime organizado em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Sarrubbo deixou o cargo de secretário nacional de Segurança Pública em fevereiro de 2026 e posteriormente passou a integrar o Conselho Nacional de Segurança Pública.
Durante a entrevista, Nicholas Shores questionou Sarrubbo sobre informações de que os Estados Unidos estariam deslocando drones militares da África para operações na América do Sul e sobre a possibilidade de ações conjuntas americanas com países vizinhos ao Brasil afetarem a região de fronteira.
Sarrubbo afirmou que esse é um de seus principais temores e apontou a Amazônia como uma área especialmente vulnerável.
Para ele, operações realizadas sem participação brasileira na concepção e execução poderiam criar riscos para a soberania nacional.
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