Passageiros de trens enfrentam drones, evacuações e atrasos na Ucrânia
Passageiros de trens na Ucrânia enfrentam evacuações repetidas, atrasos e o risco de ataques de drones russos durante viagens pelo país, segundo o The Independent.
Sirenes de alerta de ataque aéreo podem interromper uma mesma viagem diversas vezes. Em um trajeto de 400 km entre Dnipro e Odesa, por exemplo, houve oito evacuações na ida, de cerca de 30 minutos cada, e mais uma no retorno.
Passageiros deixam os vagões e aguardam ao ar livre até o fim do alerta. A empresária Antonina Viter, de 36 anos, disse que precisa interromper viagens até três vezes a cada três deslocamentos.
Viter viaja ao menos seis vezes por mês para administrar dois salões de beleza em Kyiv e Dnipro. "O que fazer? Como chegar até o cliente de outro jeito?", afirmou ela durante uma viagem para Odesa.
Atrasos de cinco a 12 horas não são incomuns na rota entre Dnipro e Odesa. Na viagem acompanhada pela reportagem, o trem chegou com atraso de uma hora e 20 minutos.
A operadora estatal Ukrzaliznytsia afirma que a Rússia atacou mais de 1.700 instalações ferroviárias em 2026. Estações, locomotivas e vagões de passageiros estão entre os alvos atingidos.
Um ataque de drone matou dois maquinistas na linha Dnipro-Odesa em agosto. Mais de 50 ferroviários morreram enquanto trabalhavam em 2026, de acordo com o ministro da Infraestrutura da Ucrânia.
A Rússia declara que mira estruturas usadas pelas Forças Armadas ucranianas. Algumas estações no leste e no sul do país foram fechadas por tempo indeterminado à medida que os combates se intensificam.
Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, a Ucrânia teve seu sistema de transporte severamente afetado por ataques de drones. Novos drones russos, equipados com motores a jato e difíceis de abater, têm atingido alvos que vão desde centros comerciais e postos de gasolina até usinas de energia e outras infraestruturas.
Condutores fecham as cortinas dos vagões no início das viagens para reduzir a luz visível do lado de fora. "Eles podem nos ver, então precisamos nos esconder um pouco", disse a atendente Olha Boniuk, de 49 anos.
Após cada evacuação, o chefe dos condutores Mykola Zakharchenko registra a interrupção da viagem. O maquinista Mykola Kovalenko resume sua decisão de continuar no trabalho: "Se eu sair, quem vai conduzir os trens?".
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