Israelenses batem recorde de participação eleitoral para julgar Netanyahu em tempo de guerra
JERUSALÉM, 27 Out (Reuters) - Os israelenses compareceram às urnas nesta terça-feira em número recorde para julgar em tempo de guerra o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, no que alguns descreveram como a eleição de maior importância na história do país.
Longas filas se formaram do lado de fora dos locais de votação para a primeira eleição desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, enquanto os eleitores lidavam com o trauma do dia mais sangrento de Israel e das guerras que se seguiram em Gaza, no Líbano e no Irã.
A Comissão Eleitoral Central informou que a participação eleitoral ficou em 74,3%, a taxa mais alta para esta fase final da votação desde 1988. As urnas fechariam às 22h em Israel (17h no horário de Brasilia).
As políticas da coalizão de direita de Netanyahu têm gerado divisões no país e aprofundado o isolamento internacional de Israel. Mas ele se apresenta como o único líder com coragem para enfrentar os inimigos de Israel.
Netanyahu, o líder mais longevo de Israel, com 19 anos no cargo, é um sobrevivente político sem igual, e sua política nacionalista está cada vez mais arraigada. O sistema fragmentado de Israel dificulta que um conjunto de oponentes consiga derrubar sua coalizão de partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos.
Seu principal rival, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e defensor de uma linha dura em questões de segurança, pretende destituí-lo com o apoio de partidos de direita e de centro, bem como do que resta de uma esquerda cada vez mais marginalizada. As pesquisas de opinião mostram uma disputa acirrada, sem garantir a nenhum dos dois um caminho fácil para o poder.
Os analistas hesitaram em prever qual seria o impacto que a alta participação eleitoral poderia ter no resultado. Um aumento nos votos de israelenses de ascendência palestina poderia limitar os ganhos da coalizão de direita de Netanyahu e tornar mais provável que qualquer governo formado para destituí-lo precisasse do apoio de partidos árabes — uma perspectiva controversa entre os líderes dos partidos judeus.
Netanyahu exortou seus apoiadores a comparecerem às urnas para contrabalançar a alta participação entre seus oponentes da esquerda e dos árabes israelenses. “Todos vocês precisam ir em massa às urnas”, disse ele.
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