Neve mais que dobra média histórica nos Andes e cobre área de 10.000 km²
Um fenômeno excepcional foi registrado recentemente na Cordilheira dos Andes. A região de Coquimbo, no Chile, acumulou uma quantidade de neve muito acima do padrão histórico, ampliando a reserva hídrica das montanhas.
A mediana mensal da área coberta por neve em agosto de 2026 passou de 10 mil km². O número é mais que o dobro da mediana registrada para o mesmo mês entre 2002 e 2025, de aproximadamente 5 mil km².
Dados do CEAZA (Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas) mostram que a cobertura de neve ficou muito acima da referência histórica. O cálculo é feito a partir de informações obtidas pelos satélites MODIS.
Analisando os dados de cobertura de neve fornecidos pelos satélites MODIS, obtivemos uma mediana mensal para agosto de mais de 10 mil km², que, comparada à mediana histórica para o mesmo mês entre 2002 e 2025, foi de 5.000 km². Portanto, em agosto, ultrapassamos a mediana histórica. Pamela Maldonado, especialista em Sistemas de Informação Geográfica e Sensoriamento Remoto do CEAZA
O principal fator para esse cenário foi uma sequência excepcional de precipitações durante o inverno, principalmente em julho. Nas áreas mais baixas da região, houve grande volume de chuva, enquanto nas partes mais altas da cordilheira a precipitação ocorreu principalmente na forma de neve.
A região de Coquimbo foi especialmente atingida. Segundo o CEAZA, a precipitação foi tão significativa que, em diversas áreas, o volume acumulado superou o total registrado normalmente ao longo de um ano.
A grande quantidade de neve acumulada funciona como uma espécie de reservatório natural. Conforme as temperaturas aumentam, parte desse manto pode derreter e contribuir para a alimentação de rios e outros sistemas hídricos da região.
No entanto, ainda não é possível determinar exatamente a quantidade de água armazenada nas montanhas. Isso acontecerá conforme o degelo, que aumentará em setembro.
A cobertura de neve representa a área da superfície coberta por neve, mas não nos permite saber sua altura ou densidade. Portanto, o conceito-chave para avaliar a reserva hídrica real nas montanhas é o equivalente em água. Cristian Orrego, coordenador da Área Meteorológica do CEAZA
O órgão destaca que, depois de sete anos de baixos caudais, o cenário começou a mudar. A expectativa é de aumento considerável da vazão dos rios e de maior disponibilidade de água nos meses seguintes, especialmente durante a primavera e o verão. A recuperação também será importante para os reservatórios da região.
Para a primavera, o CEAZA prevê temperaturas acima da média e considera possível a ocorrência de novos episódios de precipitação. Por isso, essa combinação deve continuar alterando significativamente a disponibilidade de água nos rios e reservatórios de Coquimbo nos próximos meses.
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