Polícia investiga 'ranking sexual' sobre universitárias no interior de SP
A Delegacia da Mulher de Presidente Prudente investiga a criação de um "ranking" que classifica alunas de psicologia de uma universidade privada na cidade, com termos de teor sexual e depreciativo.
Capturas de tela que circulam nas redes mostram que as conversas no grupo também eram ofensivas. "Tirei as lésbicas e as gordas", disse um dos integrantes. "Tem umas aí que eu discordo", escreveu outro, no grupo intitulado "não psicólogos".
Caso foi registrado hoje, na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Em contato via telefone com o UOL , a unidade informou que "várias queixas relacionadas ao caso estavam sendo registradas" hoje na delegacia. Até o momento, seis vítimas foram identificadas e cinco suspeitos são investigados.
Conteúdo vazado levou a protestos na entrada da instituição. Estudantes e ativistas fizeram ato na noite de ontem, em frente ao Campus II da Unoeste, na Rodovia Raposo Tavares (SP-270).
Em nota enviada ao UOL, a Unoeste afirmou que soube da denúncia ontem e já iniciou uma investigação. "Desde que tomou conhecimento do caso, a apuração foi iniciada imediatamente e está sendo conduzida com prioridade e rigor. Identificadas as responsabilidades individuais, serão aplicadas as sanções previstas nas normas institucionais. Paralelamente, a Universidade está acolhendo, amparando e ouvindo as acadêmicas envolvidas, com o cuidado necessário para preservar sua integridade, sua privacidade e sua dignidade".
Universidade pediu que conteúdos relacionados ao caso não sejam compartilhados. "A Unoeste repudia qualquer forma de exposição, assédio, constrangimento ou desrespeito à dignidade de integrantes de sua comunidade acadêmica. Também reforça a importância de não compartilhar imagens, nomes ou conteúdos relacionados ao caso, pois pode ampliar a exposição e os danos às pessoas envolvidas".
Um post compartilhado por Frente Pela Vida das Mulheres (@frente.pelavidadasmulheres)
Coletivo "Frente pela Vida das Mulheres", que esteve à frente das manifestações, chamou o episódio de "misoginia organizada". "A criação de um ranking sexual para classificar mulheres reproduz diretamente a lógica red pill do chamado "Valor Sexual de Mercado": mulheres tratadas como mercadorias, avaliadas por sua aparência, comportamento e suposta disponibilidade sexual. Quando essa prática acontece dentro de um curso de Psicologia, a gravidade é ainda maior. Que profissionais estão sendo formados quando a objetificação e a humilhação de mulheres são naturalizadas no ambiente acadêmico? (...) Exigimos apuração, acolhimento, proteção contra retaliações e medidas concretas da universidade.
O UOL procurou o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP) e o Conselho Federal de Psicologia (CFP), mas não obteve retorno. A reportagem também aguarda o retorno da Delegacia da Mulher de Presidente Prudente com mais detalhes sobre a investigação e o retorno da Polícia Civil. O espaço segue aberto para manifestações.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.