Para ajudar filhos a fazer amigos, mãe aposta em jogos de cartas
A vontade de ajudar os filhos a fazer amigos levou Raíza e o marido, Eduardo Martins, a criar um projeto que usa jogos de cartas para aproximar crianças e adolescentes em Campo Grande.
Batizada de Guilda da Diversão, a iniciativa é voltada ao público de 9 a 15 anos e propõe encontros presenciais para desenvolver habilidades como raciocínio lógico, interpretação de textos e tomada de decisões.
Mais do que ensinar as regras de um jogo, a intenção é oferecer um espaço onde os participantes possam conversar, conhecer outras pessoas e construir amizades longe das telas.
A ideia nasceu da experiência da família.
Raíza e Eduardo têm 2 filhos, e o mais velho, Kaleo, é autista.
Ao acompanhar a dificuldade do menino para criar vínculos, a mãe começou a perceber a importância de encontrar ambientes nos quais ele pudesse participar das atividades sem precisar esconder suas características.
“O nosso filho mais velho é autista.
Então, assim, ele tem uma certa dificuldade de criar amizades, de criar vínculos”, contou.
A convivência da família com pessoas que frequentam espaços dedicados aos jogos também mostrou que esses encontros poderiam reunir participantes de diferentes idades e perfis.
A percepção ficou ainda mais forte quando Raíza escreveu um livro sobre o autismo do filho, lançado em julho deste ano por meio de um edital cultural.
A obra apresenta a experiência a partir do olhar da criança, com histórias que a mãe procurou reconstruir considerando a maneira como Kaleo percebe o mundo.
O trabalho teve atividades de leitura na AMA (Associação de Pais e Amigos dos Autistas) e contrapartida cultural no Sesc Teatro Prosa.
Durante a escrita, ela percebeu que a necessidade de fazer parte de um grupo aparecia em diferentes momentos da vida do menino.
“Quando eu escrevi o livro, foi algo incrível, porque eu me coloquei no lugar dele, peguei as histórias da cabecinha dele e fui tentando narrar a parte da visão dele.
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