Eu quero acreditar: o que explica a obsessão dos humanos por vida extraterrestre
Em junho, um suposto avistamento de UAPs (fenômenos anômalos não identificados, na sigla em inglês) por um influenciador no interior do Paraná deixou a internet brasileira em polvorosa.
O relato de Mayk Leão foi investigado por ufólogos e exigiu resposta até da Força Aérea Brasileira; com a repercussão, o criador de conteúdo conquistou a oportunidade de participar do reality show ‘A Fazenda 18’ (Record).
O caso é mais um na lista de incidentes que mediram a crença brasileira na vida extraterrestre , desde a dita abdução do agricultor Antônio Villas Boas em 1957 até a descoberta de um suposto alienígena na cidade de Varginha , em 1996.
Há gerações, o Brasil “convive” com os ETs não só na ficção, como também nos relatos de encontros na vida real e no burburinho da especulação.
Se na cidade de São Paulo 16,2% acreditam em aliens , nos Estados Unidos, sede do caso Roswell e da Área 51 , a porcentagem sobe para 56%.
Mas esta crença não é única aos tempos modernos.
Em 94 a.C., o poeta romano Tito Lucrécio Caro já considerava a ideia: Se a mesma força da natureza continua operando e possui o poder de reunir todas as sementes das coisas na mesma ordem em que foram reunidas no nosso mundo, devo confessar que em outras partes do universo existem outros mundos, habitados por muitos e diferentes povos e por outras espécies de animais selvagens Tito Lucrédio Caro em 'De Rerum Natura' (século I a.C) Leia Mais: NASA pode ter provas de que a vida existiu em outro planeta, mas os cientistas podem nunca ter acesso ao material Telescópio Fast da China identifica pulsar como parte de um sistema estelar triplo primordial em evolução orbitado por uma anã branca Navio antes usado para explorar petróleo agora faz pesquisa científica e já descobriu mais de cem espécies no oceano profundo Por que nos importamos com a vida fora da Terra? Para além da crença na existência dos alienígenas, por que nos interessamos tanto por este mistério? Diversos estudos em psicologia sugerem que, ao falar dos ETs, estamos de fato tentando justificar nossa própria existência.
O psicólogo social Andrew Abeyta, professor da Rutgers University, entrevistou participantes que acreditam ou não em aliens no estudo “Não estamos sozinhos: o significado, motivo, religiosidade e crença na inteligência extraterrestre”, publicado em 2017.
“Crenças que dão explicações mágicas a fenômenos naturais apoiam a ideia de que a vida tem um propósito e um significado maior”, escreve.
“A nível intuitivo, até indivíduos sem religião sofrem influência das crenças mágicas e experienciam os benefícios destas crenças.” A pesquisa de Abeyta mostrou que pessoas com menor crença em uma religião sofrem mais com a “falta de significado” e estão mais propensas a acreditar em inteligência fora da Terra.
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