‘Papaya’ é uma delicada animação sobre crescer e descobrir o seu lugar no mundo
Há algo de muito bonito na maneira como Papaya transforma uma semente de mamão em personagem e, a partir dela, constrói uma história sobre crescer, pertencer e descobrir o próprio lugar no mundo.
Primeiro longa-metragem de Priscilla Kellen , a animação acompanha uma pequena semente que sonha em voar e, por isso, precisa permanecer em movimento para não criar raízes.
A premissa poderia facilmente resultar em uma fábula infantil convencional sobre liberdade e autodescoberta, mas o filme encontra caminhos mais interessantes ao perceber que amadurecer não significa necessariamente se desprender de tudo.
Pelo contrário: às vezes, descobrir quem somos também passa por entender aquilo que nos conecta aos outros.
Sem diálogos durante seus 74 minutos — sim, é bem curtinho, afinal, o filme também serve às crianças —, Papaya confia especialmente nas imagens, nos sons e no movimento para conduzir sua narrativa.
É uma escolha que poderia tornar a experiência excessivamente abstrata, mas a animação encontra um equilíbrio preciso entre o lúdico e o simbólico.
Infantil sem subestimar os pequeninos, o filme respeita a capacidade de interpretação de seu público.
A ausência de falas também amplia a possibilidade de identificação: antes de explicar o que a semente sente ou deseja, Priscilla permite que o espectador observe seu percurso e atribua sentidos a ele.
O resultado é delicado e transmite sua mensagem sem panfletagem.
Visualmente, Papaya é ainda mais curioso porque existe um cuidado evidente na estética da animação.
Formas bidimensionais, colagens e recortes criam um universo que parece simultaneamente simples, mas também cheio de camadas.
A inspiração nos grafismos latino-americanos e nas obras paper-cutout de Henri Matisse ajuda a construir uma identidade própria.
A paleta extremamente colorida poderia fazer do filme apenas um exercício de estilo, mas suas cores e formas estão sempre em movimento, criando um mundo orgânico e mutável.
Essa construção visual também reforça a principal ideia do filme: ninguém cresce completamente sozinho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.