Quem é Mineiro, empresário ligado a Vorcaro que agora é alvo do MP-SP
Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, entrou na mira do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Receita Federal na terceira fase da Operação Carbono Oculto , que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao setor de combustíveis.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-SP e a Receita cumpriram mandados de busca e apreensão em sete estados. As diligências ocorreram em endereços em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, além de municípios em Santa Catarina, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás.
Empresário e doleiro ligado a Daniel Vorcaro, Mineiro é dono da Entre Investimentos e fechou acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) no caso do Banco Master. A colaboração foi homologada pelo ministro André Mendonça , do STF (Supremo Tribunal Federal), após audiência em que o relator afirmou ter sido atestada a voluntariedade do delator.
Na delação, ele detalha repasses feitos pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, usado para receber dinheiro que financiou o filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele também relatou ter enviado pouco mais de US$ 12 milhões ao fundo e afirmou que os repasses foram determinados por Vorcaro, ex-controlador do Master, após pedidos e cobranças de Flávio Bolsonaro (PL) em 2025.
Segundo Flávio, candidato à Presidência da República, o dinheiro repassado por Vorcaro foi integralmente utilizado para fazer o filme.
O Grupo Entre repassou pelo menos R$ 10 milhões ao Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, de acordo com informações publicadas anteriormente. As transferências ocorreram após uma negociação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
Mineiro é suspeito de ser um dos operadores financeiros de Vorcaro e responsável por viabilizar o pagamento de propina a políticos e enviar recursos do grupo Master para o exterior.
O MP-SP afirma que a Operação Carbono Oculto investiga o uso de estruturas de lavagem de dinheiro para a aquisição de uma distribuidora de combustíveis e aponta a existência de sobreposição de estruturas comerciais para ocultar o controle de proprietários da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda. A Promotoria também cita a existência de operações financeiras atípicas e investimentos de fachada ligados a operadores financeiros associados a fintechs.
Um dos achados da investigação envolve cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios da Terrana na Justiça. O MP-SP afirma que a apuração busca esclarecer como essas estruturas foram usadas para ocultar patrimônio e controle empresarial.
Freixo Júnior cursou administração de empresas na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em São Paulo, e relatou em entrevista em 2021 que começou a trabalhar aos 14 anos como office-boy no Banco Nacional em Santa Rita do Sapucaí (MG). Em 1983, foi operador de crédito rural no mesmo banco, de acordo com seu perfil no LinkedIn.
Ele foi vice-presidente do Banco Garantia e ocupou cargos de liderança no Credit Suisse, onde ajudou a criar a tesouraria internacional e outras áreas.
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