Lula diz assumir culpa por má avaliação do governo e diz ser a favor de reduzir idade penal para crime hediondo
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O presidente Lula ( PT ) deu uma guinada nesta quinta-feira (15) em seu discurso sobre a maioridade penal e afirmou também que a responsabilidade pela avaliação ruim de seu governo é dele mesmo, por não conseguir comunicar bem as realizações de sua gestão.
O petista ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição e disse não poder "culpar ninguém", apesar de ter criticado dias atrás a desorganização de sua campanha.
Após a pauta da segurança pública ter sido destacada pelo rival, Lula se colocou a favor da redução da maioridade penal para crimes hediondos, bandeira que sempre foi alvo de resistência na esquerda.
As declarações foram dadas durante sabatina da Globo, na noite desta quinta, depois do final do Jornal Nacional.
"Acho que tudo é responsabilidade minha. Veja, eu sou o governo. Se eu não consegui ser compreendido sobre o governo que fiz, não posso jogar a culpa em ninguém, a culpa é minha", disse Lula.
O presidente disse lamentar que não tenha tido "a capacidade de fazer o povo compreender" o que foi feito no governo. "Se não consegui ser compreendido pela sociedade brasileira, não posso ficar jogando a culpa em ninguém, tenho que jogar a culpa em mim. Porque, quando as coisas dão certo, sou eu que eu ganho, quando elas não dão certo, sou eu que perco. Então, a responsabilidade é toda minha."
Em relação à maioridade penal, discutida no Congresso Nacional, Lula disse ser a favor de baixá-la para 16 anos para qualquer crime hediondo, mas reclamou que a direita tentou discutir isso na PEC da Segurança. "A PEC não estava discutindo isso."
Em entrevista coletiva concedida por Lula a jornalistas da Agência de Notícias dos Direitos da Infância em 16 de julho de 2004, em seu primeiro mandato, Lula adotava um discurso diferente sobre a questão penal.
"Mas eu estou convencido que não é o tempo de cadeia que vai resolver o problema dos nossos jovens e das nossas crianças no país, até porque quando o jovem perde a cabeça e faz uma coisa de tamanha magnitude que se transforma em crime hediondo, precisa passar por um tratamento psicológico, um tratamento médico, e não aumentar o tempo de pena dele", afirmou na época.
Em fevereiro de 2007, já no segundo mandato, Lula também se manifestou de forma contrária à redução da maioridade penal. A Folha notíciou, na época , que o presidente comentava o caso do menino João Hélio Fernandes, morto um dia antes, aos 6 anos, após ser arrastado preso ao cinto de segurança no Rio de Janeiro. Quatro homens e um adolescente de 16 anos foram responsabilizados.
O petista disse entender que uma pessoa afetada por um crime hediondo quisesse agir "emocionalmente", mas acrescentou que cabia ao Estado agir racionalmente. "Não adianta aumentar a punição.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.