CBAt vê corrida de rua como motor para financiar atletismo e defende políticas públicas para setor
Wlamir Motta Campos, presidente da CBAt, realiza discurso de abertura no TS Summit 2026, evento da Ticket Sports - Divulgação
O crescimento da corrida de rua no Brasil deixou de ser apenas um fenômeno do mercado de eventos esportivos e passou a ocupar, na visão da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) , um papel estratégico para o desenvolvimento das modalidades geridas pela entidade.
Wlamir Motta Campos , presidente da CBAt, realizou o discurso de abertura do TS Summit , evento promovido pela Ticket Sports . O gestor exaltou que a expansão do número de provas e de praticantes fortalece o atletismo ao gerar recursos para o fomento das modalidades do atletismo e, ao mesmo tempo, amplia a presença do esporte na sociedade.
Conforme divulgado por Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, em sua palestra no TS Summit, mais de 14 mil eventos esportivos deverão ser realizados em 2026, sendo 90% deles corridas de rua, regulamentadas ou não.
Ainda que nem todas as provas tenham a regulamentação adequada, o crescimento do número de eventos com chancelas da CBAt, e de outras entidades, é notório.
“A partir do momento em que nós temos as provas organizadas, as provas com ‘permit’, isso também gera receita para as federações e para a CBAt. Então, nós podemos dizer que as corridas de rua estão ajudando a subsidiar o fomento do atletismo de pista e campo em todos os estados, o que é fantástico”, exaltou Wlamir Motta Campos, à Máquina do Esporte .
O crescimento do mercado não representa apenas uma oportunidade comercial para organizadores, patrocinadores e demais empresas envolvidas nos eventos. Na visão do presidente, ele também pode criar uma base financeira mais sólida para o desenvolvimento esportivo.
A consequência é uma aproximação entre dois universos que muitas vezes são tratados de maneira separada: o mercado de corrida de rua, com grande participação popular, e o atletismo competitivo, dependente de estruturas de formação, treinamento e competição.
Diante desse crescimento, Wlamir Motta Campos entende que a função da CBAt não deve ser apenas acompanhar o mercado, mas organizar as relações que permitam que ele se desenvolva de maneira segura e regulamentada.
“A CBAt é responsável pela administração do atletismo em todo o território nacional. Corrida de rua é atletismo. O papel da CBAt é fomentar cada vez mais e fazer com que esse sistema seja regrado”, disse o presidente.
“Nós temos na corrida de rua a Norma 7 e a Norma 12. Agora, aperfeiçoamos com o anexo 3 da Norma 7, que tem como pano de fundo garantir cada vez mais a integridade física dos atletas”, acrescentou.
O próximo passo, porém, deveria ultrapassar a relação entre mercado e entidades esportivas. Para Wlamir Motta Campos, o crescimento da corrida de rua já atingiu uma dimensão que justifica uma mudança na maneira como o poder público enxerga a atividade.
“Nós defendemos que o Estado brasileiro entenda a corrida de rua como uma política social, uma política ampla. Nós estamos falando em mais de 14 milhões de corredores, de pessoas que, através da corrida de rua, estão buscando qualidade de vida, saúde mental e inclusão.
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