Além do crédito de carbono: projeto aposta na castanha para conservar 14 mil hectares em Roraima
Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV Ao invés de derrubar a floresta para abrir espaço para uma nova atividade produtiva, a proposta na Fazenda Vale Verde, localizada em Caracaraí, município de Roraima, é encontrar valor econômico no que já existe.
Em uma área de 14 mil hectares de floresta amazônica nativa, o projeto REDD+ Vale do Rio Branco, da ZEG (Zero Emission Goal), aposta na castanha como uma das formas de gerar renda a partir da mata preservada.
A iniciativa combina conservação florestal, mercado de carbono e bioeconomia.
Na prática, a ideia é fazer com que manter a floresta em pé também seja uma atividade capaz de movimentar a economia das propriedades e beneficiar moradores das comunidades do entorno.
A Folha esteve na Fazenda Vale Verde nesta segunda-feira (31) para conhecer a operação e acompanhar as ações desenvolvidas na área.
A propriedade é privada e não possui comunidades dentro de seus limites, mas está próxima aos projetos de assentamento Cujubim e Jatobá.
É dessas regiões que vêm os 23 coletores que já trabalham há anos com a castanha e a associação de 37 famílias.
Presidente da Associação de Castanheiros, o amazonense José Milton da Silva, conhecido como Zé, vive em Caracaraí há quase 40 anos.
Ele começou a trabalhar com a coleta de castanha na região por volta de 2003, depois de deixar a atividade de pesca.
Na época, o acesso aos castanhais funcionava por meio do pagamento de uma renda ao proprietário da área.
“Eu trabalhava com pesca, aí passei a trabalhar aqui com uma firma e depois deram o arrendável [contrato de arrendamento].
Aqui eu pagava renda antes.
Não era associação, eu pagava pra tirar castanha e vender.
Com a associação, melhorou o acesso até pra cuidar do castanhal, fazer alguma coisa se for preciso.
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