Pará enfrenta impacto maior com fim da cota chinesa para carne bovina
O fim da cota de importações de carne bovina brasileira pela China representa um desafio ainda maior para o Pará.
Segundo a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), a dependência do mercado chinês, somada à ausência do Estado em destinos relevantes como Estados Unidos, Chile, México e União Europeia, limita as alternativas para o escoamento da produção paraense.
Segundo números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), o Brasil exportou US$ 1,63 bilhão em carne bovina e derivados no mês de julho, queda de 5,6% em relação a julho de 2025.
Em volume, foram embarcadas 308,2 mil toneladas, recuo de 16%.
Considerando apenas a carne bovina in natura, responsável por cerca de 91% da receita das exportações do setor, as vendas somaram US$ 1,447 bilhão, queda de 5,7%.
O volume exportado recuou 17,5%, para 227,89 mil toneladas.
Leia Mais Exportação de carne bovina no primeiro semestre é recorde, aponta Abiec Perto do fim da cota chinesa, embarque de carne bovina recua 17,7% em julho Cota da China altera estratégia e preocupa setor da carne bovina brasileira A retração foi puxada principalmente pela China , já que os embarques brasileiras de carne bovina in natura para o país asiático caíram 39,6% em receita, para US$ 529,24 milhões, enquanto o volume recuou 47,8%, para 82,7 mil toneladas.
Para a associação, o cenário preocupa especialmente os estados que não possuem acesso a outros grandes mercados consumidores.
É o caso do Pará, que tem o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 25,56 milhões de cabeças, atrás apenas de Mato Grosso, com 32,85 milhões.
Apesar do tamanho do rebanho, o Pará aparece apenas na quarta posição entre os estados brasileiros em abates e na sétima colocação nas exportações de carne bovina.
Na avaliação da entidade, os números mostram que o desempenho exportador paraense está abaixo do potencial produtivo do Estado .
Com a redução do espaço para a carne brasileira na China, parte da produção poderá ser direcionada para outros destinos ou para o mercado doméstico.
No entanto, a Abrafrigo avalia que não existem alternativas suficientes para absorver todo o excedente de produção de um Estado que possui um dos maiores rebanhos do país.
A entidade também destaca que o Pará, assim como o restante do Brasil, é reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação.
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