Empresa incluída na 'lista suja' do trabalho escravo tinha contrato de R$ 21 milhões com o governo de RO
Governo de Rondônia é incluído na 'Lista Suja' do trabalho escravo no Brasil O governo de Rondônia e a empresa Terra Forte Ltda., incluídos na "lista suja" do trabalho escravo, mantinham um contrato com valor global de R$ 21 milhões para a manutenção de escolas em comunidades indígenas de Guajará-Mirim (RO) e Porto Velho.
A inclusão no cadastro ocorreu após o resgate de dois trabalhadores venezuelanos em condições precárias em uma obra da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) na aldeia indígena Ricardo Franco, localizada na Terra Indígena Rio Guaporé, em Guajará-Mirim.
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), apenas para essa obra específica existiam duas ordens de serviço que somavam R$ 867,9 mil.
O serviço era executado pela Terra Forte, terceirizada pelo governo estadual.
Ao todo, cinco trabalhadores foram encontrados no canteiro de obras.
Três deles eram indígenas da própria comunidade, contratados sem registro e sem equipamentos de proteção.
Os outros dois eram migrantes venezuelanos que atuavam como soldadores.
Eles foram recrutados em Porto Velho com a promessa de salário de R$ 6 mil, alojamento adequado e cinco dias de folga por mês.
Venezuelanos são resgatados em situação análoga a escravidão Ministério do Trabalho e Emprego A realidade encontrada pelos fiscais, no entanto, era de exploração: os operários dormiam em colchões improvisados sobre carteiras escolares e portas de madeira, dentro de um prédio em demolição com a presença de morcegos.
Eles consumiam água de poço sem tratamento e, quando a comida fornecida pela empresa acabou, precisaram pedir ajuda aos moradores da aldeia e pescar no rio.
Chegaram, inclusive, a trocar sacos de cimento da própria obra por alimentos.
O órgão também apontou que o grupo trabalhava todos os dias da semana, sem descanso, e estava com os salários atrasados.
Sem dinheiro, ficaram impedidos de deixar o local.
Para chegar à obra, isolada a cerca de 250 km de Guajará-Mirim, os soldadores haviam enfrentado quatro dias de viagem de barco.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Rondônia.