Financial Times diz que Lula usa 'vídeos de selfie' para ganhar de Flavio
A revista britânica Financial Times publicou hoje uma reportagem relatando as principais estratégias usadas pelo presidente Lula (PT) para tentar reverter a disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL) na reta final.
"Lula recorre a vídeos de selfie na contra-ofensiva eleitoral no Brasil", diz o título. O jornalista Michael Pooler destaca que o presidente de 80 anos passou a usar o smartphone como ferramenta central de campanha na reta final para o segundo turno. Em um vídeo publicado neste formato nesta semana, o petista convocou eleitores a irem às urnas: "Não há motivo para não se levantar e votar. O Brasil precisa de você. A democracia precisa de você".
Revista relata que virada é tratada como missão difícil após o primeiro turno, em que Flávio terminou na frente por margem de quase dois pontos. O jornal diz que o adversário ainda aparece levemente à frente nas pesquisas, mas aliados de Lula veem sinais de redução dessa vantagem com a ofensiva digital.
Estratégia tenta responder a um ambiente online em que o bolsonarismo construiu vantagem nos últimos anos, enquanto a esquerda teria se mantido nos moldes tradicionais, descreve a matéria. Campanha do PT reforçou a presença nas redes com influenciadores e ações de disparo de mensagens para apoiadores. A deputada federal Ana Elisa (PT) por Minas Gerais também é citada após ser figura central da nova estratégia e dizer que mais espaço nas redes sociais poderia "salvar" o presidente.
Especialistas ouvidos pelo FT avaliam que a mudança chega tarde e expõe a pressão sobre o presidente. Para o estrategista eleitoral Roberto Reis , a adaptação ao formato de vídeos caseiros revela tanto flexibilidade quanto urgência eleitoral. "Os brasileiros mudaram profundamente a forma de se comunicar, e Lula demorou a entender isso. Começar a produzir vídeos no celular aos 80 anos mostra disposição para se adaptar, mas também revela uma urgência eleitoral que beira o desespero", afirmou.
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PT disse à publicação que a guinada digital já aparece nos números de engajamento, enquanto Lula amplia a lista de promessas para o segundo turno. "Nossas métricas de engajamento, incluindo visualizações, curtidas e alcance, cresceram substancialmente", contou o Secretário nacional de comunicação do partido, Éden Valadares.
No entanto, céticos ouvidos pela reportagem argumentam que o problema de Lula não é apenas o meio, mas a própria mensagem. "Apesar do desemprego relativamente baixo e do crescimento constante durante o terceiro mandato de Lula, muitos brasileiros estão insatisfeitos com o custo de vida, o endividamento das famílias e as gangues. Bolsonaro prometeu reprimir o crime, reduzir impostos e estreitar laços com os Estados Unidos", diz um trecho.
FT também relata que equipe de Lula reclamou à Justiça Eleitoral de supostos problemas em plataformas da Meta.
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