Propor corte de impostos é enganar o povo, diz Pedro Menezes
O economista Pedro Menezes afirmou que quando um candidato propõe reduzir a carga tributária ele está “ enganando o povo ”.
Ao avaliar as propostas fiscais dos candidatos à Presidência mais bem posicionados na pesquisa PoderData ele disse que não há espaço fiscal para uma redução generalizada da carga tributária no Brasil.
Durante entrevista ao PoderDataCast , na 5ª feira (10.set.2026), o especialista disse que nenhum dos programas apresentados até agora tem medidas concretas com potencial para estabilizar a trajetória da dívida pública.
PROPOSTAS FISCAIS Menezes afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) tem um discurso mais claro sobre ajuste fiscal, com a promessa de uma “ tesourada ” nos gastos públicos.
O problema, segundo ele, é a falta de detalhamento sobre onde os cortes seriam feitos.
“ Quando o Flávio promete isso, ele não explica o que seria esse tesouraço dele, quais vão ser as propostas que ele de fato vai colocar para frente?” Na avaliação do economista, o programa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é também vago e aposta na continuidade do arcabouço fiscal, além do crescimento econômico e do empreendedorismo como formas de ampliar a arrecadação.
Augusto Cury (Avante) também fala em ajuste fiscal, mas, para Menezes, ainda não apresenta medidas suficientemente concretas.
O economista cita, por exemplo, a proposta de taxação das apostas, mas afirma que essa medida está mais relacionada à regulação do setor do que a uma solução fiscal.
Sobre a estabilização da dívida pública, Menezes afirma que: “Na prática, nenhuma dessas propostas tem esse potencial.
Porque não são propostas concretas.” MEDIDAS IMPORTANTES Para Menezes, os candidatos precisarão enfrentar temas que têm alto custo político caso queiram apresentar programas de governo capazes de melhorar a situação fiscal.
Dentre as medidas que deveriam estar nos programas, ele cita a revisão da Previdência, da vinculação do salário mínimo aos benefícios previdenciários e assistenciais e dos benefícios fiscais.
Segundo o economista, o problema fiscal não está só no valor do salário mínimo, mas na vinculação desse valor aos benefícios.
Quando o salário mínimo cresce acima do PIB (Produto Interno Bruto), os gastos obrigatórios também aumentam e pressionam outras despesas do governo.
A revisão dos benefícios fiscais também deveria fazer parte dos programas.
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