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Explosão de protestos na Espanha escancara efeitos da profunda crise habitacional das metrópoles

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Explosão de protestos na Espanha escancara efeitos da profunda crise habitacional das metrópoles

Um mar de barracas transformou a paisagem na Praça Puerta del Sol, no coração de Madri.

Há um mês, mais de 5 000 pessoas acampam no cartão-postal espanhol, retrato de uma onda de protestos que varreu cinquenta cidades do país e tem seu epicentro em uma crise que parecia impensável no mundo desenvolvido: a falta de moradias.

A faísca para a mobilização espanhola foi o despejo, viralizado em vídeos, de Maricarmen Abascal, uma senhora de 87 anos expulsa da casa em que viveu quase a vida toda por não poder arcar com o aumento de 275% no aluguel — e que, levada de maca ao hospital, morreria poucos dias depois.

Incandescente na Espanha, a questão do preço nas alturas e da escassez de habitações, no entanto, vai muito além de suas fronteiras, insuflando o descontentamento popular e estremecendo os alicerces de governos e partidos nas metrópoles da Europa e da América do Norte.

A convulsão na Espanha vem na esteira de um aumento médio de 84% nos aluguéis ao longo da última década.

No mesmo período, em toda a União Europeia, o preço dos imóveis cresceu 60%, três vezes mais do que o avanço da renda, e os aluguéis consumiram fatia maior do que 40% dos salários, patamar que a OCDE, o clube dos países ricos, considera um alerta vermelho financeiro.

“Estamos diante de uma emergência”, disse Dan Jørgensen, comissário europeu para habitação, um cargo recém-criado no bloco.

Sinal do tamanho da insatisfação geral, a moradia ultrapassou temas quentes, como imigração e segurança, no ranking das principais preocupações de Irlanda, Países Baixos, Canadá e Austrália.

Nos Estados Unidos, comprar uma casa hoje custa cinco vezes o que uma família típica ganha por ano, e os juros sobre hipotecas acabam de alcançar 7,3%, a maior taxa desde 2023.

EXEMPLO - Viena: política de longo prazo garante habitação acessível Andrey Denisyuk/Getty Images Imersos neste cenário inglório, os moradores de Berlim, a badalada capital da Alemanha, onde os aluguéis subiram quase 70% na última década, deram uma vitória histórica ao partido nanico Die Linke (A Esquerda) nas eleições de setembro, embora ele ainda dependa de formar uma coalizão com outras forças progressistas para assumir a prefeitura.

A líder da agremiação, Elif Eralp, pôs a questão da moradia no centro da campanha, prometendo reduzir aluguéis e implementar o resultado de um referendo de 2021 que limita a ação das grandes imobiliárias — cada empresa poderia manter apenas 3 000 apartamentos em sua carteira, e os imóveis excedentes seriam desapropriados e distribuídos como moradia popular.

Do outro lado do Atlântico, o socialista Zohran Mamdani elegeu-se em Nova York — onde só há vagas em 1,4% dos apartamentos — com a promessa de congelar os “aluguéis controlados” pagos por 2 milhões de inquilinos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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