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Eleição de Flávio não garante ajuste fiscal, que precisará de plano imediato, mas efeito gradual, diz Felipe Salto

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Eleição de Flávio não garante ajuste fiscal, que precisará de plano imediato, mas efeito gradual, diz Felipe Salto

Editado por Stéfanie Rigamonti, espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme

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Um dos maiores especialistas em contas públicas do país, Felipe Salto , economista-chefe da Warren Investimentos, olha com distanciamento a empolgação do mercado com uma eventual eleição do senador Flávio Bolsonaro ( PL ). Para ele, a vitória do candidato não garante, automaticamente, uma organização das contas públicas.

Salto defende que, seja qual for o resultado das eleições , o ganhador deve mostrar imediatamente após o segundo turno qual é o plano de ajuste, que necessariamente terá que passar por temas espinhosos, como Previdência, pisos constitucionais, abono salarial, emendas parlamentares, subsídios e subvenções e revisão da renúncia fiscal.

A execução do plano, porém, deve ser diluída em quatro anos, na sua visão. Ele acredita que o Brasil não tem condições de receber um ajuste abrupto, que pode inclusive causar uma recessão no país, diz.

Para ele, a apresentação de um plano coeso e eficaz de controle da dívida pública independe de mudança de regras fiscais. O economista acredita que o atual arcabouço é suficiente para comportar os ajustes necessários, com apenas algumas alterações pontuais, como a diminuição do limite de crescimento do gasto público.

Qual será o peso das medidas eleitorais do presidente Lula no próximo governo? Meu número chega a R$ 48,6 bilhões no orçamento, incluindo as medidas para o MEI, a recomposição do Bolsa Família e o novo programa pré-anunciado para estudantes universitários, além do Desenrola, que tem uma intersecção com a renegociação de dívidas bancárias do MEI, e a PEC para zerar a tarifa de transporte público nos fins de semana. É uma pressão fiscal expressiva, mas, no meu cenário aqui na Warren, parte disso já estava incorporada nos cálculos para o resultado primário, como no caso do reajuste do Bolsa Família, para o qual havíamos assumido uma premissa desde junho de 2025. De todo modo, é um quadro fiscal delicado, ainda que distante da insolvência.

Como o PLOA [Projeto de Lei Orçamentária Anual] de 2027 ainda nem foi aprovado pelo Congresso, esse tema entrará na dança. Será preciso organizar os números do ano que vem, no detalhe, para que algum superávit já comece a aparecer.

É factível um superávit em 2027? Esse objetivo, de gerar algum superávit [de 0,1% do PIB], já está no PLOA. Mas ainda faltam as condições para ser alcançado. Há muita receita superestimada, como no caso da CBS [Contribuição sobre Bens e Serviços; novo imposto federal criado na reforma tributária], e as despesas estão subestimadas, dadas as novas pressões.

Importante ter claro o ponto de partida: estimo hoje um déficit primário de 0,38% do PIB para 2026. Não é o fim do mundo. Dá para resolver com uma boa combinação de experiência, competência técnica e liderança política. Não vamos nos esquecer de que as medidas relevantes dependem do Congresso.

A Folha noticiou que a equipe de Flávio quer cortar R$ 250 bilhões com correção na Previdência, saúde e educação .

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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