"Nossos corpos cansados são o motor desse mundo", diz Michelle Prazeres
A exaustão deixou de ser apenas uma consequência da rotina e passou a fazer parte de um sistema que exige produtividade e consumo constantes.
Para a jornalista, professora e pesquisadora Michelle Prazeres, os “corpos cansados” são fundamentais para manter essa dinâmica, que reduz o tempo disponível para o convívio social e dificulta a participação coletiva.“O cansaço é uma questão coletiva, e, portanto, a gente não pode pensar em saídas individuais”, diz ela, nesta entrevista ao A TARDE.
Autora do livro “Urgente é gente: estamos vivendo se estamos sempre correndo?”, Michelle analisa como a aceleração do cotidiano afeta as relações humanas, a saúde mental e a capacidade de imaginar outras formas de viver.
Ela também critica a ideia de que todo tempo precisa ser produtivo e defende que “tempo livre também é tempo para as pessoas não fazerem nada”.Na entrevista, a pesquisadora aborda ainda as desigualdades no acesso ao descanso, a responsabilidade das empresas na promoção da saúde dos trabalhadores e os efeitos das plataformas digitais sobre a atenção.
Para ela, desacelerar exige mais do que escolhas individuais: depende de mudanças coletivas que garantam o descanso como um direito.Queria começar a entrevista já falando do seu livro ‘Urgente é gente: estamos vivendo se estamos sempre correndo?’.
Em um mundo em que tudo parece urgente, o que estamos deixando de enxergar quando colocamos a urgência acima das pessoas?A gente está deixando de enxergar tanta coisa, porque uma das coisas que esse mundo está fazendo é turvando a nossa visão para tudo que é humano.
Por isso que o título do livro é um convite para pensar como essa urgência é fabricada.
Essa pressa instituída como regra, essa velocidade que se estabelece como violência, como ela tem sido sequestradora da nossa humanidade, da nossa condição de gente.
Nesse guarda-chuva, dá para botar um monte de coisa.
A gente deixa de ver a importância da festa, da celebração, da vida em comunidade, a importância de escutar o outro, de não fazer nada.
A gente começou a chamar o tempo de tempo improdutivo, mas o tempo é o tempo, ele é improdutivo por essência.
Com isso, a gente deixa de reparar nas coisas que são realmente importantes.
A pergunta do livro é uma provocação.
Primeiro, se tudo é urgente, nada é urgente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.