Antes de cirurgia contra câncer, Zélia Duncan fez shows como possíveis despedidas
Cantora passou três meses chorando antes de apresentações, adiou a operação por compromissos profissionais e precisou reaprender aspectos básicos do canto
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Zélia Duncan revelou que enfrentou um câncer de tireoide e passou três meses subindo aos palcos com medo de perder a voz antes de realizar a cirurgia. Em entrevista ao O Globo, a cantora contou que chorava nos camarins e encarava cada apresentação como uma possível despedida. Para ela, perder seu instrumento artístico seria “pior que morrer”.
A descoberta ocorreu quando Zélia vivia um período que considerava positivo na vida pessoal e se sentia saudável. O diagnóstico provocou um forte impacto emocional, sobretudo porque a artista sempre havia mantido cuidados com a voz e com a saúde. Ela contou que não fumava nem bebia e evitava até que tocassem em seu pescoço. Mesmo depois da recuperação, a cantora afirmou que ainda percebe reflexos daquela experiência em sua vida.
“Quando descobri que estava com esse câncer na tireoide, foi chocante. Vivia meu melhor momento: tinha um ano com a Flavia, estava me sentindo forte, saudável. Fui uma jovem cantora que não deixava botarem a mão no meu pescoço, carregava sempre um casaco, tinha o apelido de florzinha de estufa. Era a careta do grupo: a que não fuma, não bebe”, relatou Zélia Duncan.
A possibilidade de uma alteração definitiva na voz se transformou no principal temor da artista. “Quando aconteceu, levei um tombo emocional muito forte. Até hoje me sinto me adaptando. Já andei muito, me curei no palco. Tive medo… Pensar em perder meu instrumento era pior do que morrer. Quando voltei da cirurgia, eu estava apavorada. O médico falou: ‘Queria que você falasse alguma coisa’. Que medo! (se emociona). Falei: ‘Um, dois, três, testando’”, contou.
Zélia descobriu a doença em setembro e pediu ao médico que a cirurgia fosse realizada somente depois de seu último compromisso profissional daquele ano. Como o procedimento não tinha caráter urgente, o especialista aceitou esperar. Dessa forma, a artista continuou cumprindo sua agenda até dezembro.
“Com a idade, a tendência é a voz se agravar, mas, para uma cantora grave, isso não é grave. Operei com 50, estava entrando na menopausa, me preparando para aquilo, parei toda a reposição hormonal para operar, fiquei seca. Descobri em setembro, tinha muitos compromissos profissionais, e pedi ao médico para operar depois do último dele. Como não era urgente, ele deixou. Fiquei de setembro a dezembro cantando como louca”, disse.
A angústia ficou evidente também para a profissional que acompanhava Zélia Duncan naquele período. “Imagina a cabeça? No camarim, eu morria de chorar. Um dia, minha fonoaudióloga me olhou e falou: ‘Para de se despedir’. Era isso que eu estava fazendo emocionalmente. Aí opero, começo os exercícios, entendo como está e vem a grata surpresa de saber que você ainda é você”, afirmou a cantora ao recordar a recuperação.
Depois da cirurgia, Zélia Duncan precisou prestar atenção a elementos do canto que antes surgiam naturalmente. A respiração passou a exigir planejamento, algo que a incomodou durante a recuperação.
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