Tem melzinho na cadeira, é?
A poeira das urnas mal teve a decência de assentar e a tropa de choque do deputado Nicolau Júnior já vem rolando barranco abaixo, anunciando aos quatro ventos que exige a presidência da Assembleia Legislativa — pela módica quarta vez.
Tamanha é a sofreguidão que sequer concederam à governadora Mailza (a esta altura, já presumivelmente ungida para um novo mandato) o tempo hábil para sentar com os aliados e ensaiar qualquer valsa política.
A diplomacia palaciana foi sumariamente substituída pelo indigesto método do “goela abaixo”, sem direito a um copo d’água para ajudar a descer.
Vôte, que é um desespero de comover as pedras! Diante de tamanho apego ao cargo, resta ao distinto público apenas uma dúvida existencial: teria alguém derramado mel naquela cadeira, ou o estofado já se recusa a aceitar outra anatomia que não a de sua excelência? A regra é clara, Arnaldo, mas a sede pelo poder, pelo visto, não respeita o apito do juiz.
Fofocas palacianas É bom Zé Adriano colocar as barbas de molho.
A situação dele exige cautela e, nos corredores do governo, a rádio peão já crava com 100% de certeza que Ney Amorim é quem herdará a vaga.
A tese jurídica que embala as apostas governistas é a de que a decisão que deixou os votos de Antônia Lúcia sub judice foi proferida por um juiz singular — o que, em tese, afastaria os efeitos imediatos da inelegibilidade.
Resta aguardar as próximas cenas desta animada novela palaciana.
As rasteiras amigas Chega a ser uma ironia digna de roteiro o jogo psicológico que andam fazendo com Zé Adriano.
Afinal, estamos falando de um candidato que passou bem longe do luxuoso “empurrãozinho” da máquina do governo.
Pelo contrário: para pavimentar seu caminho rumo à cadeira de deputado federal, ele precisou literalmente gastar a sola do sapato e investir o próprio capital.
O mais curioso, do ponto de vista analítico, é que ele manteve-se como um dos aliados mais fiéis à campanha de Mailza — uma lealdade quase romântica, considerando que, pragmaticamente falando, não lhe sobravam lá muitos motivos para tamanho devotamento.
No xadrez da política, parece que quem caminha com as próprias pernas é justamente quem mais precisa desviar das rasteiras.
A Odisseia Milionária do Voto Ontem, sábado, 10, os tambores da logística voltaram a rufar para o segundo turno.
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