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Da vaidade à 'paz pela força': por que Trump não ganhou o Nobel da Paz

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Da vaidade à 'paz pela força': por que Trump não ganhou o Nobel da Paz

Apesar de inflamar um discurso de pacificador, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ficou, mais uma vez, fora da lista de vencedores do Prêmio Nobel da Paz. Neste ano, o Comitê premiou a jurista sul-africana Navi Pillay e frustrou, novamente, o plano do republicano que clama que acabou com oito guerras.

Trump fez do Prêmio Nobel uma ambição do seu segundo mandato, o que é reforçado pelos seus discursos. No ano passado e neste ano, o americano se gabou de ter acabado com guerras, o que não é totalmente verdade (veja mais abaixo) e chegou a criticar publicamente a escolha do comitê norueguês .

Após as críticas, ele ganhou a medalha do Nobel das mãos de Maria Corina Machado, vencedora do prêmio em 2026. Ela afirmou que a entrega foi uma "retribuição" ao presidente americano . Além disso, a Fifa também criou um "prêmio da paz", presenteado a Trump em dezembro de 2025.

Os discursos e "presentes" fazem o desejo por um Nobel da Paz parecer um delírio de grandeza de Trump, mas na visão de analistas, pode haver mais interesse por trás disso. Para a professora Denilde Holzhacker, do curso de Relações Internacionais da ESPM, ganhar um Nobel seria uma validação internacional do formato agressivo de política de Trump.

Tem um pouco do lado pessoal, mas há muita estratégia. Uma estratégia política interna de demonstrar que ele é o grande líder mais recente, se colocando aí na comparação com o [Barack] Obama, e do outro lado, seria uma aceitação internacional pelo tipo de política externa que ele vem conduzindo. Denilde Holzhacker, professora da ESPM

A forma de gerir sua política externa, somada à maneira como Trump implora por um Nobel publicamente, podem ser justamente alguns dos fatores que culminaram na sua derrota pelo segundo ano seguido. Veja, abaixo, motivos elencados por especialistas para a derrota do republicano.

A forma como o governo Trump tenta resolver conflitos internacionais não conversa com as personas premiadas recentemente com o Nobel da Paz. O professor Rodrigo Medina Zagni, da Unifesp, explica que o multilateralismo, que se baseia na tomada de ações coletivas entre nações para resolver problemas, não é frequente na atuação internacional do americano.

O Comitê do Nobel valoriza historicamente o fortalecimento do multilateralismo e também as organizações internacionais e os seus esforços de cooperação. E Donald Trump atua exatamente na mão oposta. Rodrigo Medina Zagni, da Universidade Federal de São Paulo

Um grande exemplo da saída dos EUA de relações multilaterais é o Acordo de Clima de Paris. O governo do republicano abandonou o tratado , que tem como objetivo combater o aumento da temperatura da terra, em 2017 e em 2026, nas suas duas passagens pela na Casa Branca.

Pouco após assumir no ano passado, Trump também retirou os EUA da Organização Mundial da Saúde. A saída foi oficializada em janeiro deste ano, após alguns meses, e foi classificada pela OMS como "uma perda para os EUA e para o resto do mundo".

No lugar do multilateralismo, Trump tenta impor a ideia de negociações bilaterais pela coerção e pela pressão.

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