Briga familiar atrasou modernização das Casas Bahia e contribuiu com a crise do grupo, diz especialista
Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme
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O pedido de recuperação judicial das Casas Bahia , feito nesta segunda-feira (17), reflete não apenas o cenário de deterioração das contas da companhia e a crise econômica do varejo no geral. Segundo especialistas ouvidos pela coluna, é também resultado de atraso na modernização do grupo, atrapalhado também por disputa familiar entre membros da família Klein.
"Em abril do ano passado, o [Michael] Klein pedia a destituição do conselho. Se o cenário já não era bom para um varejo bem gerido, imagina com problemas internos... As Casas Bahia demoraram para se modernizar porque estão com essas batalhas há alguns anos", afirma Ana Paula Tozzi, CEO da AGE Consultores e especialista em varejo.
O passivo do grupo é de R$ 17,3 bilhões. Na última sexta-feira (14), 298 lojas foram fechadas e cerca de 1.900 funcionários acabaram demitidos. Em 2024, o grupo já havia passado por uma recuperação extrajudicial. Entre 2020 e 2025, membros da família Klein travaram disputas societárias pela herança do fundador Samuel Klein.
A companhia trocou o comando jurídico e teve dois membros do conselho de administração deixando os cargos. No segundo trimestre, o prejuízo somou R$ 10,1 bilhões e o patrimônio líquido ficou negativo em R$ 8,1 bilhões. O CEO Renato Franklin afirmou que a estratégia passa a ser operar uma companhia menor, concentrada em atividades capazes de gerar retorno.
"Preocupante é que a margem de lucro do varejo é muito pequena, entre 2% e 3%, e o capital necessário é muito grande. Tem de comprar eletrodomésticos e eletrônicos e são poucos fornecedores. Não há margem de negociação e as fábricas pedem garantia e um seguro de compra, o que encarece ainda mais para o varejista. Quem vai vender para uma empresa em situação de RJ [recuperação judicial], quer garantia", diz Marcelo Tostes, especialista em Direito Empresarial e que advogou por cinco anos para o Grupo Casas Bahia.
O novo passivo informado soma R$ 17,3 bilhões, dos quais cerca de R$ 16,4 bilhões estão classificados como créditos quirografários, sem nenhuma garantia real. A companhia também pediu proteção sobre recebíveis de cartão e Pix , que poderiam ser retidos e comprometer até 60% da entrada mensal de caixa.
"Os números divulgados revelam uma crise muito profunda. A companhia acumula oito trimestres consecutivos de prejuízo, encerrou o segundo trimestre com patrimônio líquido negativo em aproximadamente R$ 8,1 bilhões e registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no período.
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