Minério a US$ 95 desafia setor em meio à alta dos fretes: VALE3 e CMIN3 sob pressão?
A queda do minério de ferro em Cingapura para perto de US$ 95 por tonelada, combinada à disparada dos custos de frete marítimo, começa a provocar efeitos concretos sobre a produção brasileira e aumenta as preocupações com a rentabilidade do setor.
Enquanto siderúrgicas chinesas enfrentam margens cada vez mais apertadas, mineradoras de menor porte no Brasil já anunciam paralisações e reduções de atividade, em um movimento que pode ajudar a limitar a oferta global da commodity.
O minério com teor de 61% recuou US$ 5 por tonelada na última semana, para cerca de US$ 95, segundo o Bradesco BBI.
A queda reflete principalmente a deterioração das margens das usinas chinesas, que reduz sua capacidade de pagar mais caro pela matéria-prima mesmo em um período de demanda sazonalmente mais forte.
Apenas cerca de 8% das siderúrgicas chinesas pesquisadas permanecem lucrativas, levando à redução da utilização dos altos-fornos e à queda da produção de gusa.
A pressão sobre o setor siderúrgico é visível também nos preços do aço.
As referências chinesas para bobinas laminadas a quente e vergalhões seguiram em queda, enquanto as margens das usinas se aprofundaram em território negativo.
Para o Bradesco BBI, esse cenário restringe o potencial de recuperação do minério no curto prazo, uma vez que limita o apetite das siderúrgicas pela commodity.
Ao mesmo tempo, outro fator ganha importância no mercado: o disparado custo para transportar minério até a China.
O frete marítimo entre Brasil e China alcançou cerca de US$ 42 por tonelada, nível equivalente a aproximadamente 43% do preço do minério, mais que o dobro da média histórica de cerca de 20%.
Leia também Ibovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta terça Índices futuros dos EUA caem juntos antes de decisão do FED Segundo reportagem da Bloomberg, a alta dos fretes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, pelo encarecimento dos combustíveis e pela menor disponibilidade de embarcações, está comprimindo as margens das produtoras brasileiras de menor porte.
A Mineração Usiminas suspendeu as operações da planta Samambaia, em Minas Gerais, enquanto a Itaminas informou que interromperá uma unidade de processamento úmido a partir de outubro e colocará cerca de um terço dos funcionários em licença para preservar caixa.
“Com os preços do minério enfraquecendo e os custos de transporte subindo, os exportadores menores permanecem vulneráveis à pressão sobre margens e capital de giro”, afirmou à Bloomberg Maria Bertzeletou, analista sênior da Signal Group.
Na avaliação do Bradesco BBI, os fretes elevados já começam a retirar do mercado parte da oferta marginal de minério de ferro, especialmente de produtores brasileiros de pequeno e médio porte.
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