EUA defendem acordo por petróleo diante de eleição inviável na Venezuela
A Casa Branca promoveu, no início da tarde de hoje, uma ligação de mais de 40 minutos com um alto funcionário da administração Donald Trump para defender as bases legais e o caminho democrático do acordo firmado com o governo de Delcy Rodriguez, na Venezuela, pelo controle de parte das reservas de petróleo daquele país.
Anunciado por Trump na última sexta, o acordo foi detalhado pelas autoridades americanas ontem, embora ainda haja muitas dúvidas sobre aspectos do negócio.
Segundo a Casa Branca, Washington passará a ter controle majoritário sobre cerca de 65 bilhões de barris de petróleo (muito mais do que os 46 milhões de barris disponíveis nas reservas territoriais dos EUA), e a licença de exploração por cem anos foi garantida à NABEP (North American Blue Energy Partners), uma empresa privada que cedeu ao Departamento de Guerra dos EUA 35% de participação societária na empreitada. O governo americano receberá 20% do petróleo explorado nos 17 campos de petróleo a preço de custo e terá preferência prioritária para comprar o restante da produção.
O alto funcionário do governo Trump afirmou que o acordo foi uma "oportunidade geopolítica" para assegurar "fontes seguras de energia" aos EUA, para reduzir a influência das adversárias globais Rússia e China no continente americano e um passo necessário para reconstruir a Venezuela e então permitir que um governo democraticamente eleito tenha chance de ser bem-sucedido e "não herde uma catástrofe".
"Vamos definir essa dinâmica pelo que ela realmente é. Trata-se, antes de tudo, de uma questão geopolítica. Ela está estreitamente alinhada à nossa estratégia de segurança nacional divulgada no ano passado, cujo objetivo é garantir um hemisfério próspero, seguro e alinhado aos EUA, bem como aos nossos interesses nacionais e de segurança", afirmou essa autoridade, mencionando os princípios da chamada "Doutrina Donroe", que reafirma o domínio dos EUA de Trump sobre as Américas, a qual, recentemente, o Secretário de Estado Marco Rubio chamou de "nosso quintal".
"(O acordo) foi uma oportunidade — uma oportunidade geopolítica — de assegurar campos (de petróleo) que, em grande parte, estavam sob a influência de empresas chinesas e russas, permitindo mantê-los alinhados aos EUA e aos nossos interesses de longo prazo. Relacionado aos nossos interesses nacionais e à geopolítica está, naturalmente, o desejo de garantir um suprimento de energia confiável e estável para o futuro. Como temos observado, existem desafios globais — muitos dos quais já existiam antes mesmo do conflito com o Irã no Oriente Médio. E há um interesse claro dos EUA em assegurar que um dos maiores fornecedores de energia da nossa região esteja alinhado conosco, e não com um adversário", disse este alto funcionário do governo Trump, citando mais tarde que o regime de Nicolás Maduro costumava ceder milhares de barris de petróleo ao regime cubano, em um fluxo interrompido desde que os EUA retiraram militarmente Maduro de Caracas, em 3 de janeiro.
O acordo foi recebido com desânimo e revolta por parte da oposição venezuelana, que vê no negócio o estabelecimento definitivo de Rodriguez no poder.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.