Ofensiva houthi provoca crise humanitária com 76 mil deslocados e superlotação extrema no Yêmen
A ofensiva dos Houthis no oeste do Iêmen provocou nova onda de deslocamentos que pressiona a já saturada cidade de Aden, capital provisória do governo reconhecido internacionalmente. A captura das últimas ilhas do estreito de Bab el?Mandeb consolidou o controle rebelde sobre a costa do mar Vermelho, enquanto ataques e contra?ataques envolveram a Arábia Saudita. A ONU informou que ao menos 76 mil pessoas foram deslocadas desde julho, número que quadruplicou na última semana.
A captura das últimas ilhas do estreito de Bab el?Mandeb, anunciada na sexta?feira (11), consolidou o controle dos rebeldes sobre toda a costa do mar Vermelho. No mesmo dia, a Arábia Saudita fechou temporariamente o oleoduto Leste?Oeste após sofrer ataques, enquanto os Houthis afirmaram ter sido alvo de dezenas de bombardeios sauditas. A ONU informou que ao menos 76 mil pessoas foram deslocadas desde julho, número que quadruplicou na última semana.
Com seus onze filhos e alguns pertences amontoados na caminhonete, Saddam Ali fugiu da região de al?Waziiyah rumo a Aden, já sobrecarregada por sucessivas ondas de deslocados. Como milhares de iemenitas encurralados pela ofensiva do movimento apoiado pelo Irã, ele deixou sua casa às pressas, sem saber onde encontraria abrigo. Ao chegar, encontrou apenas a rua. "Não achamos água nem comida, e o calor é sufocante", disse à AFP.
Ao redor, caminhonetes lotadas de pessoas e objetos empilhados no teto cruzam as vias estreitas da cidade. Aden se tornou capital provisória em 2014, após a tomada de Sanaa pelos Houthis , evento que desencadeou a guerra. Desde então, sua população dobrou com o fluxo de pessoas que fogem das áreas controladas pelos rebeldes em busca de segurança e trabalho. A cidade também recebe migrantes da África que tentam alcançar monarquias do Golfo, mas acabam retidos no país mais pobre da península Arábica.
Em 2025, Aden já contava com 755 mil deslocados oficialmente registrados, em uma população estimada de 3,5 milhões, segundo o Ministério de Assuntos Sociais e Trabalho. A nova tomada de Bab el?Mandeb deve aumentar ainda mais a pressão sobre suas frágeis infraestruturas e serviços públicos, num momento em que a ajuda humanitária se torna cada vez mais escassa.
Vindo de Mokha, cidade tomada pelos Houthis na quinta?feira, Abdulalim Al?Rajihi descreve a fuga como um episódio de desespero. "Nos disseram: 'Saiam, dispersem?se. Vocês têm meia hora'. O que se faz em meia hora?", relatou. "Fugimos com a roupa do corpo e levamos as crianças." Ele afirma que muitos moradores foram pegos de surpresa, descrevendo "crianças, mulheres, idosos... cenas de horror".
O avanço dos rebeldes ocorre após o Iêmen voltar à guerra em julho, rompendo anos de relativa calma desde a trégua de 2022. Desde a retomada dos combates, ao menos 76 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, segundo a ONU. Mais de 70 mil fugiram apenas desde setembro, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
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