Polícia apura se furto em escritório de Milton Leite tem relação com prisão
A Polícia Civil de São Paulo apura se o furto ocorrido no escritório do ex-vereador Milton Leite (União) na noite de ontem tem relação com a investigação que levou o político à prisão na semana passada , sobre a suposta atuação do PCC no setor de transporte coletivo da capital.
Fontes da cúpula da corporação disseram à coluna que apuram se os dois casos têm ligação entre si. Chamou a atenção dos investigadores, por exemplo, que os criminosos que invadiram o escritório do ex-presidente da Câmara Municipal na noite de ontem levaram o HD que guardava as imagens das câmeras de monitoramento do local, mas deixaram para trás quase R$ 20 mil em espécie. O dinheiro estava jogado em cima de um sofá do escritório, segundo o boletim de ocorrência.
Nenhum dos suspeitos do furto foi preso até o momento. O crime foi reportado à polícia por uma vizinha, que estranhou a movimentação no imóvel, em Santo Amaro, na zona sul da capital.
Policiais encontraram no local cartões de crédito e um Bilhete Único no nome de Milton Leite. Documentos autenticados do ex-vereador também foram encontrados no local e apreendidos para análise.
O ex-vereador foi alvo da Operação Vectura Corrupta na quinta-feira passada. Ele é apontado como o verdadeiro dono da Transwolff, empresa de ônibus acusada de lavar dinheiro para a facção.
Leite disse ser inocente das acusações e se entregou à polícia na sexta. "Não sou dono de empresa de ônibus e só assumi uma interlocução na SPTrans a pedido do Bruno Covas (ex-prefeito morto em 2021), por causa da greve de 2019. Não tem nada de ilegal, não devo nada", disse o político ao UOL na quinta.
Para a polícia, há fortes indícios de envolvimento direto do ex-vereador com o esquema de infiltração no transporte público do PCC. O UOL já havia revelado, em 2024, relações entre Leite e a Transwolff. Uma empresa da família do então vereador alugava um terreno para a concessionária. Advogado e contador ligados ao político também prestaram serviços à companhia durante a licitação do transporte público.
A Transwolff também nega que Milton Leite tenha tido qualquer participação societária na empresa e diz que ele nunca participou da gestão ou deu ordens.
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