Jovem mantida em cativeiro foi forçada a escrever carta de despedida: "Espero não ser um adeus"
A jovem Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, resgatada após ser mantida amordaçada e acorrentada por seu ex-companheiro em Águas Lindas de Goiás, foi forçada a escrever uma carta de despedida à família durante os dias em que esteve no cativeiro. O texto foi encontrado no bolso do sequestrador durante a operação da Polícia Militar que resultou na prisão em flagrante do agressor e na libertação da vítima.
No texto, redigido em uma folha de caderno sob ameaça, a mulher orientava os familiares a buscarem um advogado para transferir bens, como um carro e uma casa, e implorava para que as autoridades não fossem acionadas. A carta continha ainda um trecho dramático, no qual a vítima afirmava esperar que aquele não fosse um adeus e que estaria sempre em espírito com a mãe.
A análise inicial das autoridades de segurança aponta que o texto foi escrito próximo à data do resgate. O sequestro teve início dias antes, quando a jovem desapareceu após ser flagrada por câmeras de segurança saindo de uma clínica médica. De acordo com a Polícia Civil, o ex-companheiro confessou ter dopado a vítima com medicamentos antidepressivos para levá-la até o cativeiro, uma residência que havia sido alugada por ele recentemente e que foi preparada com trancas externas.
O homem foi localizado pela polícia enquanto dirigia pela cidade e tentou fugir em alta velocidade ao receber ordem de parada, mas acabou interceptado. Ao inspecionarem o imóvel alugado, os militares ouviram ruídos e encontraram a mulher com as pernas, braços e pescoço presos por cordas, algemas e correntes, além de apresentar dificuldades respiratórias devido a uma máscara.
O relacionamento do casal havia terminado meses antes e o crime teria sido motivado por um histórico de violência doméstica. Após ser socorrida e receber alta hospitalar, a vítima utilizou as redes sociais para denunciar a gravidade dos abusos sofridos durante o cárcere. Ela relatou ter sido torturada, afirmando que o sequestrador inseriu panos com ácido em sua boca, causando queimaduras internas severas, e pediu apoio para buscar justiça. Em contrapartida, a defesa do suspeito divulgou nota afirmando que o inquérito policial ainda está em andamento e considerou prematura qualquer manifestação conclusiva, alegando que os fatos divulgados podem não corresponder à real extensão das condutas e que aguarda o avanço das investigações para o esclarecimento do caso.
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