Reforma tributária terá “Réveillon do apocalipse” e mudará rotina de compras
A virada para 2027 ganhou um apelido entre especialistas em tributação: "réveillon do apocalipse".
A brincadeira faz referência à dimensão das mudanças que começarão em 1º de janeiro, quando uma primeira etapa da Reforma Tributária entrará em vigor no Brasil.
Da compra de um pãozinho na padaria às operações de grandes empresas, o novo sistema promete transformar a forma como os impostos são cobrados, com uma transição de 7 anos e resultados que poderão ser avaliados ao longo da próxima década.
Em janeiro, começa a incidir, de forma gradativa, a CBS (Contribuição Sobre Bens e Serviços), a ser cobrada pela União em substituição ao PIS e Cofins.
O advogado especializado em direito tributário, empresarial e eleitoral Ary Raghiant Neto conversou com o podcast Na Íntegra , do Campo Grande News, e explicou, até de forma didática, como a reforma atingirá praticamente toda a população, independentemente da renda ou da atividade econômica.
"A gente brinca, nós que estamos estudando esse tema, que vai ser o Réveillon do apocalipse", afirma.
Segundo ele, a expressão surgiu porque o último dia de 2026 marcará o encerramento de uma etapa do modelo atual de tributação federal sobre o consumo.
Embora considere as transformações positivas, representando uma mudança cultural, o advogado alerta para a complexidade da implantação e para os riscos financeiros enfrentados pelas empresas durante a adaptação.
A primeira grande mudança ocorrerá com a entrada da CBS.
Já a partir de 2029, começará a substituição gradual do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), cobrado pelos estados, e do ISS (Imposto sobre Serviços), de competência municipal, pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
Essa etapa será concluída em 2033.
O novo imposto passará a ser cobrado no local do consumo ou da prestação de serviço.
Os Estados e prefeituras não poderão mais oferecer incentivos fiscais para atrair investimentos, o que ele vê como negativo para Mato Grosso do Sul, que utiliza esse instrumento para que empresas se fixem no Estado.
A reforma também prevê um fundo para compensações, para assegurar o equilíbrio e que não haja entes prejudicados.
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