Tristão tira HIV do silêncio e leva corpo, orgulho e dança para o palco
André Tristão lembra-se bem das palavras difíceis que viu e ouviu.
Ao longo dos anos, o artista sul-mato-grossense recebeu nas redes sociais comentários atravessados por homofobia, gordofobia e sorofobia.
Em vez de simplesmente apagar essas palavras, decidiu levá-las para o lugar mais improvável, o palco.
É dessa experiência que nasce “Eu Vou Dançar Seu Ódio!”, solo que estreia com três apresentações gratuitas em Campo Grande.
As primeiras serão na terça-feira (22), às 15h e às 19h30, no Teatro Aracy Balabanian.
Na sexta-feira (25), às 19h, o espetáculo chega ao Sesc Teatro Prosa.
Em cena, André não pretende reproduzir uma sequência de ataques ou transformar o espetáculo em denúncia.
A pergunta que conduz o trabalho é outra: o que um corpo pode fazer com aquilo que recebeu para machucá-lo? “Em cena abordo questões como homofobia, gordofobia, sorofobia, infância e relações familiares.
Vivendo com HIV, indetectável há mais de dez anos, transformo parte dessa experiência em matéria cênica, articulando autoficção, memória, movimento, palavra, música e recursos audiovisuais”, conta Tristão.
O HIV faz parte dessa história, mas não aparece sozinho.
O artista coloca no mesmo palco lembranças da infância, relações familiares, preconceitos e experiências acumuladas no próprio corpo.
Para contar tudo isso, André mistura teatro, dança e performance.
Voz, música, projeções e iluminação também entram em cena e ajudam a transformar em movimento aquilo que, originalmente, chegou até ele como violência.
Dançar até virar outra coisa A pesquisa de André parte da pergunta “como dançar o ódio até que ele vire outra coisa?”.
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