Autoridade Palestina adia eleições para setembro de 2027 e cita obstáculos
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, adiou neste sábado (10) as eleições legislativas que estavam previstas para o próximo mês, atribuindo o atraso a Israel e à situação de segurança nos territórios palestinos.
A votação ficou para 11 de setembro de 2027, data em que também foram convocadas eleições presidenciais.
O decreto de Abbas citou “obstáculos impostos por medidas israelenses” e a necessidade de estabelecer condições políticas, de segurança e locais adequadas para “eleições livres, justas e inclusivas”, informou a agência de notícias oficial palestina WAFA.
Em uma publicação na rede social X, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, ressaltando que a última eleição palestina ocorreu há duas décadas, rejeitou as declarações, classificando-as como “mais uma mentira ridícula destinada a evitar responsabilidades e prestar contas”.
Leia Mais EUA barram visto de presidente palestino a dias da Assembleia Geral da ONU ONU autoriza presidente da Autoridade Palestina a discursar por vídeo Autoridades sem visto dos EUA podem ir à Assembleia da ONU em Nova York? Havia sérias dúvidas de que a votação da Autoridade Palestina ocorreria no próximo mês.
Os palestinos não realizam eleições legislativas ou presidenciais desde 2005-2006.
Após esse período, o Hamas, que é rival da Autoridade Palestina, assumiu o controle de Gaza, expulsando os partidários do presidente Abbas — ele governa por decreto desde que seu mandato presidencial expirou, em 2009.
A Autoridade Palestina realizou eleições municipais em abril na Cisjordânia e em Deir al-Balah, no centro de Gaza, a única cidade do enclave a participar.
Essa votação foi a primeira eleição realizada em Gaza desde 2006.
Por que palestinos não realizarão eleições em 2026? O decreto afirmou que ataques militares israelenses, a expansão de assentamentos, a violência de colonos e restrições de movimento na Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental), somados à retenção contínua de receitas fiscais palestinas por parte de Israel, criaram desafios para a preparação e a realização das eleições neste mês de novembro.
Em relação a Gaza, o decreto apontou “condições excepcionais de segurança e humanitárias”, a retirada incompleta das forças israelenses, a falta de progresso na reconstrução e a falha na implementação de acordos para o envio de forças internacionais de estabilização e policiamento.
O documento convocou os palestinos de Jerusalém, da Cisjordânia e de Gaza a votar.
As restrições israelenses ao acesso de funcionários da comissão eleitoral e de observadores internacionais a Gaza e a Jerusalém Oriental também complicaram os preparativos, segundo o decreto.
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