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Economia

Crise dos títulos franceses revive fantasma da dívida soberana na Europa

InfoMoney ·
Crise dos títulos franceses revive fantasma da dívida soberana na Europa

Com centenas de milhares de jovens franceses participando de protestos em todo o país, episódios de violência e uma forte liquidação dos títulos públicos, o deputado da esquerda radical Louis Boyard apresentou sua solução para os problemas do governo na semana passada.

“Vocês são incapazes de entender o que os jovens querem”, gritou o parlamentar de 26 anos ao ministro da Educação, Edouard Geffray, durante um debate acalorado na Assembleia Nacional.

“Para resolver tudo isso, vocês vão ter que abrir o talão de cheques.” O problema é que a França dificilmente pode arcar com os € 10 bilhões (R$ 55 bilhões) reivindicados pelos estudantes que lideram os protestos.

Pelo contrário.

Depois de atravessar várias crises recentes impulsionando gastos públicos, o país vê investidores perderem a confiança na capacidade da segunda maior economia da União Europeia de controlar uma dívida crescente e cada vez mais cara.

A liquidação dos títulos públicos nas últimas semanas já elevou os custos de financiamento para níveis não vistos em quase 25 anos.

Na sexta-feira, o prêmio exigido pelos investidores para comprar títulos franceses de 10 anos em vez dos italianos atingiu um recorde.

Leia também Disparada dos títulos muda apostas para juros em grandes economias Movimento eleva custos de financiamento, aperta as condições financeiras e leva investidores a reduzir apostas em novas altas de juros por bancos centrais Títulos do Tesouro disparam até 13% em uma semana e batem Ibovespa Valorização vem do forte recuo das taxas, que é maior nos prefixados; comparação com a Bolsa, porém, só vale ao olhar para ganhos brutos E a França está apenas no início de meses de turbulência política.

As preocupações com as contas públicas, agora concentradas nas negociações do orçamento, devem se estender até a eleição presidencial de 2027 e além.

Os investidores acompanham com apreensão os principais candidatos, com um defendendo metas fiscais consideradas pouco críveis por analistas e outro aventando a ideia extrema de cancelar dívidas.

“Há uma combinação de atividade econômica fraca, gravidade da crise orçamentária e preocupações com a eleição presidencial”, afirmou Michel Sapin, ministro das Finanças da França nos anos 1990 e novamente entre 2014 e 2017.

“A incerteza política alimenta e amplifica preocupações reais.” Sem uma saída clara, cresce a especulação sobre como essa crise terminará.

Para a Europa, o cenário é um pesadelo.

Especialistas temem, sobretudo, sinais de contágio para a dívida de outros países, evocando a crise grega que quase desintegrou a zona do euro há quinze anos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.

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