Crise dos títulos franceses revive fantasma da dívida soberana na Europa
Com centenas de milhares de jovens franceses participando de protestos em todo o país, episódios de violência e uma forte liquidação dos títulos públicos, o deputado da esquerda radical Louis Boyard apresentou sua solução para os problemas do governo na semana passada.
“Vocês são incapazes de entender o que os jovens querem”, gritou o parlamentar de 26 anos ao ministro da Educação, Edouard Geffray, durante um debate acalorado na Assembleia Nacional.
“Para resolver tudo isso, vocês vão ter que abrir o talão de cheques.” O problema é que a França dificilmente pode arcar com os € 10 bilhões (R$ 55 bilhões) reivindicados pelos estudantes que lideram os protestos.
Pelo contrário.
Depois de atravessar várias crises recentes impulsionando gastos públicos, o país vê investidores perderem a confiança na capacidade da segunda maior economia da União Europeia de controlar uma dívida crescente e cada vez mais cara.
A liquidação dos títulos públicos nas últimas semanas já elevou os custos de financiamento para níveis não vistos em quase 25 anos.
Na sexta-feira, o prêmio exigido pelos investidores para comprar títulos franceses de 10 anos em vez dos italianos atingiu um recorde.
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As preocupações com as contas públicas, agora concentradas nas negociações do orçamento, devem se estender até a eleição presidencial de 2027 e além.
Os investidores acompanham com apreensão os principais candidatos, com um defendendo metas fiscais consideradas pouco críveis por analistas e outro aventando a ideia extrema de cancelar dívidas.
“Há uma combinação de atividade econômica fraca, gravidade da crise orçamentária e preocupações com a eleição presidencial”, afirmou Michel Sapin, ministro das Finanças da França nos anos 1990 e novamente entre 2014 e 2017.
“A incerteza política alimenta e amplifica preocupações reais.” Sem uma saída clara, cresce a especulação sobre como essa crise terminará.
Para a Europa, o cenário é um pesadelo.
Especialistas temem, sobretudo, sinais de contágio para a dívida de outros países, evocando a crise grega que quase desintegrou a zona do euro há quinze anos.
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