Avança cruzada trumpista em favor de psicodélicos nos EUA
Marcelo Leite relata novidades da fronteira da pesquisa em saúde mental
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A popularidade de Donald Trump está em queda nos EUA, mas segue intacto seu poder de alavancar mudanças –quase sempre para o mal, com o caso dos psicodélicos como exceção a confirmar a regra. Sua ordem executiva de abril mandando acelerar pesquisas pôs a máquina estatal ianque em marcha, como se viu na audiência pública da agência de fármacos FDA em 14 de setembro.
O mote era "Considerações sobre o Potencial Uso Terapêutico Futuro de Drogas Psicodélicas". Cerca de 300 pessoas compareceram ao campus White Oak da FDA em Maryland e outro milhar acompanhou pela rede digital o encontro em que 80 apresentadores tiveram dois minutos cada para vender seu peixe.
Além de funcionários graduados da agência, a mesa tinha representantes das repartições federais Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (Nida), Departamento de Assuntos de Veteranos (VA), Administração de Abuso de Substâncias e Serviços de Saúde Mental (Samhsa) e Agência para Projetos de Pesquisa Avançada em Saúde (Arpa-H). Todos se limitaram a ouvir, sem perguntas.
Josh Hardman, do boletim Psychedelic Alpha , fez um esclarecedor relato da sessão. O tom geral foi quase de propaganda, com a maioria dos apresentadores defendendo presteza do governo na regulamentação dos tratamentos para transtornos como estresse pós-traumático e depressão e expondo suas visões sobre protocolos, segurança e credenciamento de profissionais ou clínicas.
Ouviram-se poucas vozes contrárias ou pedindo cautela. Uma foi a de Susan Taymor Sagy, que relatou a morte da filha de 21 anos depois de usar psicodélicos. A educação pública não pode ser tratada como algo secundário, ela disse ao painel, pois a aprovação de um psicodélico pela FDA teria enorme peso cultural.
O único crítico direto foi Kevin Sabet, ativo no campo das políticas sobre drogas. Ele enfatizou não ter conflitos éticos a declarar, em oposição a outros oradores: "Posso afirmar com segurança que sou um dos poucos aqui sem interesse financeiro na expansão do uso de psicodélicos".
"Os psicodélicos devem obter aprovação da mesma forma que qualquer outra classe de medicamentos: por meio da ciência e de ensaios clínicos, não da política ou de podcasters", afirmou, em alusão a Bryan Hubbard, da organização Americans for Ibogaine, e ao influenciador Joe Rogan, que lideraram o lobby junto a Trump.
"Continuo muito preocupado ao ouvir defensores –inclusive alguns dos mais populares, aqueles que chegaram ao Salão Oval– cogitando uma revolução violenta caso os psicodélicos não sejam aprovados", disse Sabet, segundo Hardman referindo-se a um vídeo de Hubbard com a frase de John F. Kennedy no tempo da Guerra Fria: "Aqueles que tornam impossível a revolução pacífica tornarão inevitável a revolução violenta".
Não parece provável que Hubbard e Rogan peguem em armas caso a FDA rejeite novamente uma terapia psicodélica, como fez em 2024 com a MDMA (ecstasy) , até porque agora a agência dá sinais de que fará a regulamentação a toque de caixa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.