Documentário mostra como Gonzaguinha foi um gênio imprescindível
Esse é o título de uma das grandes músicas da nossa MPB, uma composição de um gênio de quem tive o privilégio de ser amigo.
Gonzaguinha foi um cara incrível que tenho dificuldade em definir pelo intenso e curto tempo em que estivemos ligados.
O Gonzaguinha foi, sem dúvida alguma, a pessoa que mais me impressionou, porque foi tudo tão rápido e grandioso que, quando me lembro dele, parece que foi uma eternidade e, às vezes, um sopro de convivência.
Nunca conversei tanto com uma pessoa, sem pausa, por horas na minha vida, sobre temas importantes, e, pelo que os amigos mais próximos dele me disseram, naquele momento também foi assim para ele.
A diretora Susanna Lira é a responsável pelo documentário sobre sua vida curta, coberta de obstáculos e composições geniais.
Pouco se fala da sua importância para a música e para a sociedade brasileira.
No Brasil, tem-se uma visão muito seletiva sobre vários segmentos artísticos, inclusive no futebol, deixando de lado pessoas imprescindíveis e determinantes para citar sempre os mesmos, como se só aqueles fossem importantes.
Gonzaguinha é, sem dúvida, um dos mais subestimados, porém ele é um dos maiores da nossa música.
Particularmente, ele sempre esteve entre os mais influentes da minha geração, e eu já era profundamente apaixonado por sua obra, mesmo bem antes de conhecê-lo.
Em setembro de 1980, eu estava no Parque do Ibirapuera, mais especificamente na Praça da Paz, para assistir ao seu show, depois do lançamento do seu álbum "Gonzaguinha da Vida", de 1979.
Lembro-me como se fosse hoje o quanto fazia sentido para os adolescentes da minha geração. Especificamente nesse disco, havia três músicas que viraram grandes clássicos:
"Com a Perna no Mundo", que é um samba com uma crítica social forte e muito inteligente.
"Vida de um Viajante", canção que foi o ponto do reencontro entre Gonzaguinha e seu pai, Luiz Gonzaga, que, já no começo, enche nossos corações:
"Minha vida é andar por esse país Para ver se um dia descanso feliz Guardando as recordações das terras por onde passei Andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei"
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