Crítica | Dove Cameron embarca na nostalgia do synth-pop com a inédita “When In Rome”
Dove Cameron se tornou conhecida após protagonizar a série de comédia ‘Liv & Maddie’ , do Disney Channel , retomando parceria com uma das subsidiárias da Walt Disney Studios para a franquia de fantasia musical ‘Descendentes’ , em que interpretou Mal, filha de Malévola. Adotando o nome artístico em homenagem ao pai, que faleceu quando ela tinha apenas quinze anos, a artista também mergulhou no mundo da música ao dar início a uma carreira solo que, até agora, conta apenas com um disco completo – o elogiado ‘Alchemical: Volume 1’ , integrando o aclamado single “Boyfriend” (que, inclusive, faz parte da nossa lista de Melhores Músicas LGBTQIA+ do Século ).
É inegável que os fãs da cantora, compositora e atriz clamam por mais de seus projetos – sendo o mais recente deles o thriller erótico ‘56 Dias’ , que protagonizou ao lado de Avan Jogia . E, agora, ela parece estar pronta para embarcar em sua nova era musical com o lançamento de “When In Rome” , faixa assinada em uma clara declaração de amor a seu noivo, Damiano David , vocalista da popular banda de rock Måneskin – o que faz claro sentido se considerarmos que a terra natal do performer é a Itália. E, estendendo-se por pouco menos que três minutos e meio, Cameron assina uma despojada e despretensiosa declamação romântica que funciona como uma espécie de discurso de casamento que ela prepara para a aguardada cerimônia matrimonial – e que, no geral, encontra sucesso nas praticidades das convenções musicais.
A faixa explode numa mistura de electro-pop e synth-pop oitentistas que puxa elementos esquadrinhados por incontáveis artistas nos últimos anos – incluindo Lady Gaga , Robyn e Jessie Ware , apoiando-se em batidas extremamente bem demarcadas que traçam uma ponte entre passado e presente em uma honesta investida instrumental. Em outras palavras, fica muito claro que Cameron, que cede espaço para o trabalho conjunto dos produtores CJ Baran , Mark Schick e Ilsey Juber , tem uma especificidade a ser seguida e não se importa em trazer algo de original, por assim dizer, e sim expressar como se sente ao lado de uma das pessoas mais importantes de sua vida. Não é surpresa que, voltando ainda mais um pouco no tempo, ela busque referências da discografia de Giorgio Moroder com a presença de uma estética retrofuturista e de um saxofone que ganha destaque na segunda metade da canção.
Acompanhando a identidade “direta e reta” que trouxe em ‘Alchemical’ , Cameron não canta em meias palavras e tem um objetivo concreto a ser alcançado, delineado pelo contundente refrão guiado pelos versos “nós deveríamos nos apaixonar quando em Roma. Por que não nos casamos, construímos uma casa?” ( “we should fall in love when in Rome. Why don’t we get married, build a home?” ). E, em meio a uma narrativa bastante familiar, não podemos deixar de sentir um gostinho de quero mais no tocante a outras músicas que já nos presenteou – ainda que, no final das contas, sejamos envolvidos pelo pragmatismo com que “When In Rome” é arquitetada.
Lembrando que a faixa já está disponível nas principais plataformas de streaming .
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