Sindicato aciona polícia por acúmulo de funções de enfermeiros na Santa Casa
O SIEMS (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) registrou boletim de ocorrência nesta quarta-feira (16) para formalizar denúncias sobre as condições de trabalho dos profissionais da Santa Casa de Campo Grande.
O sindicato fez o registro na Polícia Civil como preservação de direito, após enfermeiros assumirem a coleta de sangue de pacientes, além das atividades assistenciais que já desempenhavam.
No BO, o presidente do sindicato, Lázaro Santana, relata que a mudança ocorreu após a descontinuidade do serviço de coleta realizado por laboratório terceirizado.
Segundo ele, a nova tarefa foi incorporada à rotina em um momento em que o hospital já teria déficit superior a 300 profissionais de enfermagem.
O sindicato afirma que enfermeiros precisam deixar seus postos habituais para realizar as coletas, o que poderia provocar desassistência e comprometer a segurança dos pacientes.
O próprio registro policial, porém, ressalta que, apesar dos relatos recebidos desde 26 de agosto, não havia casos registrados de pacientes que tivessem sofrido intercorrências em razão dessa situação.
A entidade também informou à polícia que recebeu denúncias de trabalhadores por e-mail e WhatsApp e que não possui uma lista dos profissionais que realizaram as coletas e teriam se sentido coagidos.
Segundo o BO, o sindicato ainda aponta que a Santa Casa suspendeu, neste mês, novas contratações de profissionais de enfermagem e horas extras por 180 dias, prazo que poderia ser prorrogado.
Hospital foi notificado - Um dia antes do registro policial, o sindicato protocolou ofício na Santa Casa comunicando o que classificou como “risco assistencial” decorrente da mudança no processo de trabalho e da insuficiência de pessoal.
No documento, a entidade afirma que a coleta de material biológico passou à enfermagem após a suspensão dos serviços da Biomega.
O SIEMS esclarece que não questiona a competência técnica da enfermagem para realizar coleta de sangue.
A contestação é sobre as condições para acumular essa tarefa com as demais responsabilidades assistenciais diante do quadro de funcionários disponível.
Segundo a entidade, a situação gera sobrecarga e pode aumentar o risco de acidentes de trabalho e problemas de saúde entre os profissionais.
A denúncia do sindicato ocorre menos de uma semana após a Operação Antidotum atingir a cúpula da Santa Casa.
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