Preocupação com inflação dos EUA vai além da energia e Fed está sob pressão
A taxa de inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos voltou a ficar em 0,6% em setembro, um patamar não visto desde abril.
Embora o dado já fosse esperado pelo mercado, por conta da mais recente alta dos combustíveis, os economistas alertam que os preços de outras categorias como serviços, administração e transportes estão resilientes e vão manter o Fed sob pressão até o final do ano.
E que uma nova alta de juros ainda em 2026 é provável.
Na avaliação de Leonardo Mendes, economista e financial advisor da Manchester Investimentos, o principal risco hoje nos EUA está na transmissão do choque energético para os demais preços da economia.
“Quando os custos de combustíveis, transporte e produção aumentam, as empresas tendem a repassar parte dessas despesas aos consumidores.
Caso esse movimento se prolongue, poderá contaminar as expectativas de inflação e tornar o processo de desinflação mais lento e custoso”, alerta.
Leia também CPI: Inflação ao consumidor dos EUA sobe 0,6% em setembro, em linha com o esperado Pesquisa da Reuters apontava expectativa de alta de 0,6% dos preços ao consumidor no mês passado.
Na comparação anual, a projeção era de alta de 3,6% O preços da gasolina subiu 9,1% na comparação mensal entre agosto e setembro e essa conta já está 34,2% na comparação de 12 meses.
A alta do óleo combustível foi ainda mais intensa: 15.3% no mês e 74,12% em 12 meses.
“O petróleo e seus derivados continuam sendo os principais responsáveis pela aceleração da inflação, especialmente diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio”, comentou.
Mendes diz que o resultado de setembro reduz a margem de atuação do Fed e reforça a necessidade de o banco central americano manter uma postura monetária restritiva.
“O mercado já começa a incorporar uma probabilidade maior de novas elevações dos Fed Funds, enquanto a possibilidade de cortes de juros fica mais distante”, avalia.
De fato, pela ferramenta FedWatch, do CME Group, que capta as estimativas do mercado, a probabilidade de o Fomc optar por manter as taxas na atual faixa entre na faixa entre 3,75% e 4% na reunião do final de outubro caiu de 77,9% ontem para 56,3% hoje.
A probabilidade de uma nova alta de 0,25 p.p., por sua vez, subiu de 22,1% para 43,7%.
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