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Dia mais quente da história dos oceanos é registrado devido ao El Niño

UOL Notícias ·
Dia mais quente da história dos oceanos é registrado devido ao El Niño

Impulsionadas por um El Niño natural que ainda cresce, mas já é de proporções gigantescas, e pelas mudanças climáticas causadas pelo homem, as temperaturas dos oceanos do mundo atingiram a média de 21,1°C na sexta-feira, 21, e no sábado, superando por pouco o recorde médio diário estabelecido em março de 2024, disse Samantha Burgess, líder estratégica de clima do Copernicus.

"Este é mais um sinal de que nosso sistema climático está sob tensão e de que o oceano está sob imensa pressão", disse Burgess.

Jane Lubchenco, oceanógrafa e ex-chefe da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), classificou o recorde como "muito preocupante".

"Um oceano tão quente desestabiliza os padrões climáticos e ameaça a segurança alimentar, a prosperidade econômica e a vida marinha", disse Lubchenco. "Um oceano mais quente não é nosso amigo."

Quando o oceano se aquece, ele se torna mais ácido e transporta menos oxigênio, o que prejudica as produções de alimentos que dependem dos mares, disse Burgess. Isso também altera as correntes oceânicas e os padrões climáticos, intensificando as tempestades, tornando-as mais fortes, explicou.

"Quando temos um oceano mais quente, como o que tivemos na Europa neste verão, isso amplifica o impacto das ondas de calor, pois não se tem as temperaturas noturnas mais amenas trazidas pela brisa marinha que vem do oceano quando este está muito quente", disse Burgess.

Normalmente, como a maior parte do Hemisfério Sul é coberta por oceano, a temperatura da superfície do mar atinge seu pico em março e abril, à medida que o verão nessa parte do globo chega ao fim. Mas este ano, o recorde foi estabelecido em agosto, disse Burgess.

Assim, os oceanos continuarão esquentando até que o atual El Niño - um aquecimento natural temporário de partes do Oceano Pacífico que, por sua vez, altera o clima e eleva as temperaturas globalmente - atinja seu pico, o que está previsto para algum momento entre novembro e janeiro, disse ela.

O El Niño já tem a mesma intensidade dos fenômenos recentes e continua se intensificando, com previsão de atingir níveis sem precedentes em seu auge. Ele é responsável por boa parte do calor nos oceanos, e o aquecimento de longo prazo causado pela queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás elevou a temperatura das águas em 0,8°C em média, afirmou Burgess.

"O que me deixa desanimado é que isso começa tão cedo e é tão fora do normal que sabemos que, quando atingir seu pico, será algo sem precedentes", disse Boris Worm, professor de biologia da Universidade Dalhousie, no Canadá. "O oceano não deveria estar fazendo isso. É que simplesmente não existe mais o ‘normal’", disse.

"É assustador", disse John Bruno, ecologista marinho da Universidade da Carolina do Norte. "Ainda nem estamos em outubro. Sabe, normalmente o Caribe atinge o pico no final de setembro, início de outubro. E acho que no ano que vem, no Oceano Antártico, na Grande Barreira de Corais...

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