É preciso limitar IA agora ou humanidade perderá autonomia, diz ganhadora do Nobel
OSLO, 15 Set (Reuters) - A inteligência artificial, que sequestrou a atenção da humanidade por meio das redes sociais e influenciou nossa biologia ao manipular a necessidade de intimidade, tirará nossa autonomia, a menos que aprovemos leis agora para limitá-la, afirmou Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.
A jornalista filipina e norte-americana, que ganhou conjuntamente o prêmio de 2021 em parte por seu trabalho de documentação do poder das grandes empresas de tecnologia, atua como copresidente do painel científico internacional das Nações Unidas sobre IA. O painel avalia como a IA está transformando vidas em todo o mundo.
Ressa afirma que os cidadãos devem fazer campanha pela regulamentação da IA para pressionar os políticos a aprovar uma legislação.
“Pedir regulamentação não é uma questão de liberdade de expressão. É uma questão de segurança pública”, disse a cofundadora e presidente-executiva do veículo de notícias Rappler, cliente da Reuters.
“Acho que estamos naquela fase em que, se isso não acontecer, vamos perder o controle... (A situação) ficará fora de nosso controle se não agirmos agora”, disse ela em uma entrevista durante uma visita a Oslo para palestrar em uma conferência sobre ameaças às democracias.
“A inteligência artificial não é nem artificial nem inteligente. Ela já existe há cerca de 70 anos, e já houve três ondas que atingiram o público”, disse ela.
Ressa descreveu a primeira fase como a das plataformas de redes sociais captando a atenção, polarizando as sociedades e isolando os indivíduos nesse processo.
“A segunda fase consistiu em ‘hackear’ nossa biologia, novamente por meio da intimidade: os chatbots”, disse Ressa. “E, então, a última é a própria agência, por meio da IA agentiva e multiagentiva, os modelos de ponta que estão criando essas máquinas que não apenas fingem ser humanas, mas agem por nós.”
Alguns críticos, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitaram os apelos do setor para regulamentar a IA por medo de perder a corrida tecnológica para a China. Ressa descartou esse argumento como “boa manobra de relações públicas”.
“Na verdade, a China estabelece mais salvaguardas para seus cidadãos do que o Vale do Silício faz para o resto do mundo.
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