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Fraude do Master é ponto fora da curva e fundos imobiliários seguem em alta

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Fraude do Master é ponto fora da curva e fundos imobiliários seguem em alta

Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme

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Apesar da condenação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ao Banco Master , Daniel Vorcaro e a outros 14 acusados, especialistas ouvidos pela coluna não veem um problema estrutural ou de fiscalização nos FIIs (Fundos de Investimentos Imobiliários) . Advogados, analistas e entidades que tratam do tema veem a fraude do Master como um episódio isolado e restrito a um grupo específico.

A CVM os condenou no último dia 8 por irregularidades na terceira emissão de cotas do Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário. Eles foram multados em R$ 201,5 milhões. Vorcaro recebeu multa de R$ 20 milhões, enquanto o Banco Master foi penalizado em R$ 12,5 milhões. A comissão disse que o caso envolveu operações fraudulentas relacionadas à formação do patrimônio e à negociação de ativos do fundo.

Professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o economista Alberto Ajzental lembra que fundos de gestoras consolidadas continuam captando recursos normalmente.

"Esse caso reforça a importância de olhar para quem realiza a gestão do veículo, não para o veículo em si. A gestora, administradora, seu histórico, sua reputação, porque o fundo sozinho não erra nem acerta. Quem pode errar é quem o administra", afirma.

A visão está apoiada nos números da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), entidade que representa instituições do mercado financeiro. As ofertas encerradas de FII no primeiro semestre somaram R$ 39,5 bilhões. É o melhor resultado da série histórica da entidade e representa alta de 103,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Para Fabio Noronha, gestor da Asarock Asset Management, o caso não inaugurou um paradigma de underwriting, como é chamada a atividade de estruturar, coordenar e distribuir uma emissão de valores mobiliários, entre as principais gestoras.

"A mudança mais visível ocorreu na atenção ao enforcement [aplicação das regras e punições]: investidores passaram a testar como esses controles funcionam na prática, e a CVM reforçou a supervisão por dados e rastreabilidade", afirma.

Ele lembra que o volume diário médio subiu de R$ 339 milhões para R$ 501 milhões e a base de investidores passou de 2,9 milhões para 3,3 milhões.

O advogado José Paulo Marzagão, do Dias Carneiro Advogados, afirma não ver, até o momento, mudança relevante na percepção de risco pelos investidores ou pelos players da indústria. Para ele, o efeito mais provável recai sobre o nível de diligência na avaliação de ativos, já que a regulação em vigor já contém mecanismos para lidar com avaliação, deveres fiduciários e conflitos de interesse — o que pode mudar é a intensidade da fiscalização.

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